domingo, 16 de janeiro de 2011

A NOVELÍSTICA DE CLODOALDO FREITAS, de Airton Sampaio

DECEPÇÃO. É o que senti quando li três das cinco novelas de Clodoaldo Freitas (Teresina - PI, 1855 – 1924) em boa hora republicadas por Teresinha Queiroz em 2009, via Editora Ética, de Imperatriz, MA. Trata-se de Memórias de um velho (Teresina, Pátria, 1905 – 1906), Coisas da vida (São Luís, Diário do Maranhão, 1908-1909) e Por um sorriso (Teresina, Correio do Piauí, 1921), todas originalmente saídas em jornais, em forma de folhetim, o que até explica, mas não justifica, muitas das suas inconsistências. Ainda bem que existem, ao lado delas, o romance histórico O Bequimão (São Luís, 1908), e uma outra novela, Os bandoleiros (Belém, 1922), que elevam o nível da literatura clodoaldina.

O primeiro problema que se revela é que essas três primeiras narrativas citadas são manifestações de um romantismo não só retardatário (basta lembrar que Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que sepultou de vez a prosa romântica, é de 1881!), mas também, e principalmente, diluidor, porquanto piegas, meloso e superficial. Nelas, há de muito bom as descrições precisas (“O Igarapé-Açu, pequena vila sossegada e aprazível, está situada à margem da estrada de ferro de Bragança, a 116 km de Belém. Seu clima...”) e a concisão dos diálogos, ágeis e funcionais, denunciando a vocação do autor para a contística. Perde-se, porém, muito da boa idealização do amor romântico pelo excesso de amores à primeira vista, que ultrapassam os limites da verossimilhança, que aliás resta fulminada de vez, em narrativas não pertencentes ao gênero fantástico, pela sucessão de eventos os mais disparatados (inúmeros e incríveis casamentos, incontáveis e providenciais viuvezes, rapidíssimas riquezas e empobrecimentos, etc), a não ser que, para redimi-los, os enquadremos como “causos” ou “lorotas”.

Clodoaldo Freitas escreve bem (apesar de prejudicado pela revisão, que não atentou devidamente para a boa virgulação que os textos mereciam), mas erigiu três novelas inconsistentes, que não podiam mesmo deixar entre nós uma tradição de prosa digna de continuidade e que sublinham ainda mais o valor literário de Um manicaca, de Abdias Neves (Teresina, 1909). Esse romance naturalista, apesar dos seus defeitos, como as longas digressões anticlericais, cada vez mais se afirma como a primeira narrativa piauiense de qualidade, o que se torna mais óbvio se a compararmos à novelística clodoaldina, cuja única novidade é um romantismo temporão entremeado, aqui e ali, por um discurso anticlerical em voga na época, embora mais contido que o de Abdias.

Sei que o homem é o homem e suas circunstâncias. Isso, entretanto, não vale para justificar a prática, já no começo do século 20, de um folhetinesco romantismo quando a luz do melhor romantismo brasileiro há muito se apagara (é como, na música, querer ser “jovem guarda” em 2010!). É claro que se pode sempre dizer, como faz Teresinha Queiroz na quarta capa de Memórias de um velho, que Clodoaldo Freitas “trata os caminhos e descaminhos do amor e da vida como metáforas da política brasileira e de seus sonhos de transformação social”, metáforas difíceis de serem comprovadas, amiudadamente, nos próprios textos. Outra saída para a elevação artificial do valor literário dessas três novelas clodoaldinas seria interpretá-las como paródias do mais desbragado romantismo, o que também exige pormenorizada, e igualmente complicada, comprovação textual.

Há, no entanto, um Clodoaldo Freitas bem melhor em O Bequimão (São Luís, 1908), romance histórico de tessitura mais complexa, passado em São Luís, no Maranhão, no século XVII, e em Os bandoleiros (1922), novela ambientada numa cidadezinha perdida na Amazônia (Igarapé-Açu – PA) cujos costumes e política são sintética e interessantemente documentados. Talvez haja também um Clodoaldo Freitas mais consistente e literariamente mais contributivo na seara do conto de matiz naturalista, que desconfio ter sido, o conto, sua verdadeira vocação literária. Veremos isso em outro artigo, que a este damos por findo, afirmando que amar de verdade uma literatura não é louvar, a qualquer custo, tudo o que a ela pertença, mas dar às produções do seu acervo uma real dimensão, sem puxar o elástico para além da sua capacidade de resistência, o que redundaria num acrítico bairrismo mistificador.
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* Airton Sampaio é escritor e professor de língua portuguesa e literatura brasileira no Departamento de Letras da UFPI.
Fonte: Diário do Povo do Piauí, Opinião, 15 jan 2011, p. 2.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O TRÁGICO E A TRAGÉDIA NO "CONTETO DE NATAL", DE AIRTON SAMPAIO

Emerson Araújo*                                                                                                

“A relação entre o trágico e a tragédia
não pode ser tomada pela simples
categorização gramatical, já que a
relação semântica entre os dois
conceitos é bem mais complexa do que
parece na busca de uma resposta
superficial.” (Carlos Pinto Corrêa in O
trágico e a tragédia, vinculação e
escolha).

Aproveitando a assertiva de Carlos Pinto Corrêa que procura estabelecer certa distinção entre o “trágico” e a “tragédia”, adentro na estrutura elaborativa do “Conteto de Natal” de Airton Sampaio para tentar vislumbrar a possibilidade desta diferença.
Antes de qualquer especulação sobre a proposta do parágrafo anterior, torna-se necessário dizer que a Airton Sampaio em sua contística tem nos apresentado um exercício, quase cotidiano, de projeto construtor de arte literária privilegiando a limpeza frasal como nenhum outro contista de sua geração. Aquilo que parece ser uma obsessão elaborativa, em Airton Sampaio e em sua narrativa, nos leva a crer, também, que é a inquietação de um autor em conflito com a sintaxe frouxa, redundante ainda tão comum no universo da prosa literária. A linguagem frasal posta na obra deste autor é um trabalho de esmero que surge vigorosa sempre quando ele nos presenteia com um texto novo.
Mas o foco aqui não é a obra de Airton Sampaio como um todo, é apenas uma pequena mostra dela feita através do texto: “Conteto de Natal” publicado no blog da Confraria Tarântula em 2009 e reprisado no blog do autor em 24/12/2010. Este conto, a princípio, é uma demonstração cabal de que a linguagem frasal enxuta quer suplantar todos os outros elementos estruturais da narração. Linguagem, a parte, se percebe que existe um conteúdo pano de fundo que delineia a especulação teórica do diferencial entre o trágico e a tragédia como quer Carlos Pinto Corrêa in O trágico e a tragédia, vinculação e escolha.
“Conteto de Natal” nos parece o melhor exemplo, na literatura, para se diferenciar trágico/tragédia. Com a predominância do discurso direto o enredo montado no conto remete para a tragédia nos seguintes moldes segundo MOST (2001).: “O trágico, expressão mais comum no nosso vernáculo, refere-se ao que traz a morte, a desventura, o calamitoso ou sinistro. Em seu sentido literário significa esplêndido, grandioso, não inteligível, e é geralmente negativo. O seu uso coloquial moderno, quase vulgar, está em oposição ao conceito desenvolvido entre filósofos e intelectuais dos dois últimos séculos, que o vinculam à tragédia, um gênero que compreende um conjunto de textos específicos, um entendimento coloquial e outro filosófico. Na verdade o trágico descreve certos tipos de experiências ou de traços básicos da existência humana. "O termo não é estético mas antropológico ou metafísico: ele não define um gênero literário mas a essência da condição humana, em sua estrutura imutável ou como se manifesta em circunstâncias excepcionais, catastróficas". Apesar de não ser um texto teatral por excelência, mas este pequeno conto se configura com uma tragédia nos moldes apresentados pelo teórico grifado a medida que se percebe a essência do ser humano numa situação catastrófica, tendo como pano de fundo um natal atemporal e ageográfico.
Juliana, José e João personagens reduzidos de “Conteto de Natal” representam o tripé fundamental da tragédia anunciada. Estes personagens fazem parte de uma concepção trágica da passionalidade, portanto, fica difícil não compreender que toda tragédia não se monta no trágico. MOST mais uma vez é esclarecedor quando continua afirmando:“...não é acidental que o termo trágico é libertado de sua ligação com uma forma literária e generalizada para se aplicar à condição humana no exato momento da história.” Entendemos que é no exato momento da história de Juliana, José e João que o trágico movimenta a tragédia no conto de Airton Sampaio, levando-os ao catastrófico: “Aí um corpo estendido, não mexam no presepinho ensangüentado, deixem essa árvore toda quebrada quieta, fotografem tudo, alguém por favor diga à merda desse vizinho para parar de repetir esse troço, Noite feliz, Noite feliz, Pobrezinho...”
Sem mais delongas, seja na utilização do discurso direto, seja na configuração da frase enxuta, na redução do espaço e nas personagens, “Conteto de Natal” é uma tragédia moderna nascida do trágico humano no natal, ou melhor, nos natais atemporais e ageográficos.

Referências
CORREA, Carlos Pinto - O trágico e a tragédia, vinculação e escolha – http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S151994792006000100007&script=sci_arttext – 25/12/2010.
MOST, Glenn (2001) - Da tragédia ao trágico - In: Filosofia e Literatura: o trágico, Jorge Zahar Editor, Rio de janeiro, 2001
http://airtonsampaio.blogspot.com/2010/12/conteto-de-natal.html - 25/12/2010.

*Emerson Araújo é professor.

Fonte: http://emersonaraujo46.blogspot.com/search?updated-max=2010-12-25T18%3A51%3A00-03%3A00&max-results=10

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PREMIO POLEGAR PRA CIMA 2010!

.... o Prêmio Polegar pra Cima 2010 vai para...

... a Academia Onírica e suas doses mensais de poesia em noites inteligentes que fazem lembrar (sem nenhuma reverencialidade) o melhor da Geração de 1970, quando ainda  incômoda porque esteticamente antiacadêmica, politicamente antigovernista e comportamentalmente jovem. Vivam os Oníricos!

(visite http://poesiatarjapreta.blogspot.com/.)  

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

TROFÉU LIMÃO AZEDO 2010!

... e o Troféu Limão Azedo 2010 vai para...

a Fundação Cultural do Piauí e a Fundação Monsenhor Chaves que, entra ano e sai ano e entra presidente e sai presidente, não estão nem aí para o Cine Rex, que continua ao léu, abandonado, à espera de se transformar numa loja ou templo religioso privado, como se não fosse um patrimônio imensurável da cultura piauiense. Limão bem azedo nos olhos de Sônia Terra, Cineas Santos, Laurenice França e dos "intelectuais" nossos de cada dia, tão cheios de "piauiensidade"!



domingo, 26 de dezembro de 2010

A MAIOR DAS EPIFANIAS EM TEMPO DE INTERNET

E se a Natividade tivesse ocorrido ontem?

Qual seria o destino de Jesus?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

CONTETO DE NATAL

--- Não vim aqui, Juliana, comer peru.
--- Acabou, José. Tou em outra.
--- Maior que a minha?
--- Melhor.
--- Por acaso o babaca suga o vinho espalhado aos poucos ao redor da sua xota?
--- Isso e muito mais.
--- Juliana, você me mata.
--- Ano novo, vida nova.
--- E eu, o deus de sempre?
--- Agora é ele, o João. Adeus.
--- Juliana, eu...
--- Espera aí, cara, ela é sua ex-mulher, não?
--- Ex uma porra, seu...
Aí um corpo estendido, não mexam no presepinho ensanguentado, deixem essa árvore toda quebrada quieta, fotografem tudo, alguém por favor diga à merda desse vizinho para parar de repetir esse troço, Noite feliz,
Noite feliz,
Pobrezinho...

sábado, 18 de dezembro de 2010

UMA BOA IDEIA

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.
Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma ideia muito boa do senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.
SE VOCÊ CONCORDA COM A IDEIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.
Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.
Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante essa mensagem para que chegue até alguem que pode fazer algo.
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166 - página de entrada do Senador Cristovam Buarque.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

QUANTIDADE SUFICIENTE PARA POESIA

Adriano Lobão Aragão

A Academia Onírica é resultado de um curioso encontro de vertentes e gerações que, inevitavelmente, culminariam na mesma direção: a necessidade da poesia e suas múltiplas formas de expressão. A despeito do nome, não espere as formalidades típicas que o uso do termo “academia” costuma evocar. E se o adjetivo “onírico” remete ao sonho e à fantasia, que seja assim, mas a Academia Onírica parece sonhar com os olhos abertos para o futuro e suas possibilidades. E o hibridismo revela-se como a tônica dessa harmonia dissonante, pois encontramos conexões múltiplas, envolvendo desde encontros poéticos mensais, a editoração do zine AO, até a exibição de documentários, como “A Revolução dos Pirulitos” (abordando o controverso poeta Chiquinho Garra) e “Sem Palavras” (que retoma o panorama da cena underground teresinense da década de 70, tendo como foco o artista Arnaldo Albuquerque), ambos dirigidos por Aristides Oliveira e produzidos pelo Coletivo Diagonal. Encontramos também o blog poesiatarjapreta.blogspot.com, que dá o devido suporte de divulgação via internet e, como a maioria dos veículos on line, desenvolve-se a partir de seus próprios recursos: vida própria, um blog que, ao mesmo tempo em que divulga os eventos e as ideias da Academia Onírica, veicula-se como um blog de poesia que sustenta-se autonomamente. Nesse sentido, a veiculação do zine AO, um breve prontuário de poemas apresentados como remédio contra a mesmice, não é um desdobramento do blog, muito menos dos encontros poéticos realizados no Orbital Cultural Canteiro de Obras, pois funcionaria da mesma forma sem o evento ou o blog, mas ganha, é claro, muito mais força quando reunidos.

Sediada em Teresina, Piauí, e envolvendo Demetrios Galvão, Fagão, Kilito Trindade, Laís Romero, Thiago E., Valadares e Arianne Pirajá, a Academia Onírica finalizou as atividades de 2010 com o lançamento de um CD intitulado Veículo Q.S.P (quantidade suficiente para), no qual, sob o acompanhamento musical da banda Quarterão, os oníricos declamam seus poemas. Apesar do estilo “manifesto” que costuma instaurar-se nos textos de apresentação produzidos pelo grupo, há no CD um equilíbrio entre declamação e musicalidade que, diversas vezes, pende para uma ambientação mais lírica do que muitos poderiam supor. Destacaria, para uma audição mais demorada, as faixas “Eu Digo Amor”, de Laís Romero; “Be Bop”, de Fagão e Adolfo Severo, e “A Língua”, de Thiago E. Vale lembrar que o trabalho poético de Thiago E. na Academia não parece competir ou valer-se de sua participação na banda Valeduaté, e uma prova disso é a gravação de seu poema calcada quase que exclusivamente na declamação. Trata-se de poesia em espaços distintos, feições distintas, mas, enfim, poesia.

Em relação aos encontros poéticos, as noites homenageavam artistas da palavra, como Pablo Neruda, Manoel de Barros, Arnaldo Antunes, Rubervam Du Nascimento, Ana Cristina César, entre outros. “Não sei se todos entenderam, mas o poeta ‘homenageado da noite era sempre uma desculpa para que os encontros existissem, pois o que estava sendo valorizado eram os poetas presentes e a produção dos demais artistas envolvidos,” declarou Demetrios Galvão, em texto publicado no blog do grupo. E, oniricamente, Kilito revela que “era a eletropoesitividade de uma noite onírica que me invadiu e multiplicou-se pelo soma, impulsionando minhas células a movimentos radônicos tal qual carrinhos de bate-bate num parque de diversão”.

Nas palavras de Valadares, “este coletivo, que começou a ser idealizado por duas mentes precisadas destes comprimidos (Kilito e eu), há quase vinte anos, busca através de olhares aguçados, de corpos sãos, de mentes sãs... novas primas, novas eras, novas floradas, que tragam a textura dos ipês, a modelagem colorida das palavras, de coisas que traduzam a vontade de ser artífice, que tragam o horizonte dos artistas...”

Não creio que, no momento, caiba aqui uma análise crítica dos versos apresentados nas noites poéticas, nos zines AO, na Academia em si. Há, como em qualquer canto em que se busque a poesia como meio de expressão, bons e razoáveis resultados, e só faria sentido um julgamento crítico mais apurado caso voltássemos a atenção para algum poema ou autor específico. Mas essa é uma outra questão, pois a Academia Onírica abre-se para a pluralidade e, enquanto grupo, deve ser valorizada naquilo que tem de melhor: a agregação de valores distintos que dá visualidade a um fenômeno maior, a colocação da poesia como ordem do dia e da noite, uma grande experiência em que cada um pode contribuir com um (ou vários) verso(s), e depois de 11 noites de poesia, 11 edições do zine AO e do CD Veículo Q.S.P. o sonho continua pulsando pela noite adentro.

[publicado no jornal Diário do Povo, coluna Toda Palavra, Teresina, 14/12/2010]

Postado por Adriano Lobão Aragão às 14:21, http://adrianolobao.blogspot.com/.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A CORAJOSA COVARDIA DO ANONIMATO

A Constituição brasileira protege a liberdade de expressão, mas VEDA o anonimato. É que anonimamente os COVARDES se tornam "corajosos" para dizerem o que não têm hombridade de fazer às claras. Porque, numa postagem recente neste blog, sugeri que os formandos de letras abdiquem da tal visita burocrática à APL para, ao invés disso, curtirem a Academia Onirica, vejam que pérola recebi em meu email, com autoria covardemente omitida:

"A academia é um lugar que se estagnou no tempo. É verdade. Aceita-se essa afirmativa, conquanto seja muito melhor, indubitavelmente, tomar chá do que fumar maconha. Aliás, não supreende você elogiar "artista" maconheiro-revolucionário. Defender seres medíocres e inverter a lógica das coisas só poderia provir mesmo de uma mentalidade de pseudointelectual subdesenvolvido. Você não tem juízo. Pensa, ou melhor, "não pensa" desproporcionalmente. E é professor, disseram-nos. Oh, lastimamos pelos seus alunos, que ainda não podem lastimar por si mesmos. Você ensina Torquato Neto? Você estuda Chico Buarque e Caetano? Um aluninho nos contou que você leciona letra de música como se fosse poesia. Em poucas palavras: deveria haver um "Ministério Público Escolar" para apurar tais asneiras dignas de corromper a inteligência pubescente dos meninos iletrados. Você seria autuado num inquérito civil a fim de investigar lesão ao direito dos alunos de aprenderem corretamente. Pena que não há. Mas existe, sim, um Tribunal da Consciência Moral. Este já o condenou por ser um empulhador. "

Se o autor desses preconceitos (vejam-se grifos meus) fosse apenas o idiota que é, seria só mais um, entre tantos. O preocupante é o FASCISMO que, protegido pelo anonimato, ele exala. Tribunal da Consciência Moral? Já imagino até quem seriam os juízes dessa Colenda Corte Fascista...

Vade Retro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




  

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ATENÇÃO, FORMANDOS DE LETRAS,

por que a tal visita burocrática de vocês à Academia Piauiense de Letras? Passem um espanador nas telhas de aranha culturais e visitem a Academia Onírica! Lá tem cultura viva!! E vida inteligente!!! Que tal?