segunda-feira, 4 de junho de 2012

FLAGRANTES DO LANÇAMENTO DE "DEI PRA MAL DIZER: CONTOS ERÓTICOS", de JL Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho, na Adufpi, em 01 jun 2012, noite.


M. de Moura Filho, Airton Sampaio,  JL Rocha do Nascimento,os contistas, e
                                          Rosália Mourão, a prefaciadora.
                                       
                                                 
Adufpi, em Noite bela, com Salão lotado.

sábado, 2 de junho de 2012

BASTA, CORONEL CINEAS SANTOS! CHEGA DE GROSSURA!!


Na noite de ontem, 01 de junho de 2012, J.L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho lançamos na Adufpi, para um espetacular público de cerca de 250 pessoas, o livro Dei Pra Mal Dizer: Contos Eróticos, que a partir de terça-feira estará à venda nas livrarias e bancas da cidade. Todos sabem que a feitura de qualquer produto cultural no Piauí, onde ainda quase nada foi feito, é plena de problemas, atropelos, marchas e contramarchas, prazeres e dores. Conosco não foi diferente neste livro, embora, apesar de tudo, tenhamos sido sempre MUITO BEM TRATADOS onde estivemos. O azar foi deparar, na manhã de ontem, na recepção da TV Cidade Verde, com o coronel da cultura da Fazenda Piauí que atende pelo nome de Cineas Santos.
         Para o lançamento do nosso livro, NÃO HOUVE CONVIDADOS ESPECIAIS. Todos os possíveis leitores, sem distinção, eram e são para nós bem-vindos, ao contrário do que faz o coronel da cultura, que primeiro escolhe como convidados especiais, sabe-se lá por que, as autoridades oficiais, e depois a sua panelinha e os seus áulicos (se quiserem comprovar, é só ir ao Salipi). Ora, ao ver Cineas Santos, fiz o que todos os três autores estávamos fazendo ao coincidir com alguém que imaginávamos apreciar literatura: entreguei-lhe um convite para o lançamento. Por esse gesto, já algumas vezes repetido naquela manhã, vi-me, em público e em plena sala de recepção de uma tv, DESTRATADO com a GROSSERIA mais ordinária, com a DESEDUCAÇÃO mais reles, como a INCIVILIDADE mais rasteira, próprias mesmo de um coronel que se julga o centro da cultura piauiense, embora demagogicamente publicize o contrário, e que se acha o suprassumo da inteleetualidade da província, apesar de em verdade não passar de um armorialista decadente. Ao meu convite, feito sem nenhuma intenção de agredir, ouvi do senhor Cineas Santos, carregado com o tom de mau-humor que sempre o acompanha, que “esse  filho da puta vem me convidar em cima da hora, esse filho da puta, que eu já editei, vem me dar um convite só no dia do evento!!!”
         Em primeiro lugar, não poderíamos conferir ao senhor coronel da cultura, porque não o fizemos com ninguém, nenhum convite especial, menos ainda com mil dias de antecedência; em segundo, FILHO DA PUTA É ELE, O CORONEL; em terceiro, NUNCA PEDI que o coronel me editasse em lugar nenhum, daí ser despropositada, pelo menos em relação a mim, a cobrança de uma fidelidade clientelista a que está ele, como coronel, acostumado. Ato contínuo, adentrei o estúdio da TV abalado e nem sei como consegui dar uma entrevista, que me pareceu até razoável, dadas as circunstâncias. Como homem que sou e como um intelectual que não precisa do beneplácito de ninguém para existir, liguei para o coronel da cultura e o desconvidei do convite que a ele tanto aborreceu. Fiz isso com a devida aspereza, que é a linguagem que o coronel da cultura entende porque é dela detentor do título de PhD. PhD em falta de educação!!! “Ah”, dirão os áulicos, “ele é assim mesmo, mas no fundo, lá no fundo, tem muita doçura”. Assim mesmo é uma ova!!!
          Se, como dizem, talvez só para incrementar o marketing pessoal dele, diariamente exercido, até cuide bem de plantas, seria MUITO interessante que expandisse aos humanos o tratamento que falam que dispensa aos vegetais. Ou isso é impossível? Se há muitos que aceitam passivamente os coices do coronel da cultura, eu não os admito. Que fiz eu de mal ao senhor Cineas Santos na recepção da TV Cidade Verde? Entregar um convite para o lançamento de um livro é uma ofensa? Tivesse aprendido o coronel um mínimo de urbanidade, poderia descartar o convite recebido na primeira lixeira que encontrasse, e não partir a pontapés amargurados sobre quem não o vê, mesmo, como especial. Reconheço a importância do senhor Cineas Santos no cenário cultural piauiense, até porque em terra de cego quem tem um olho é rei, no entanto nunca lhe vi, nem lhe vejo, nem lhe verei, como um ser especial, como o rei da cocada preta da intelectualidade provinciana.
        Eu sei, por vivência própria, como é difícil mudar... Não é difícil, porém, entender que as pessoas, PELO MENOS EU, não estão dispostas a aguentar DESAFOROS GRATUITOS em nome de “uma doçura que existe, sim, lá no fundo da alma” de quem quer que seja. Paciência!!! Seria bom para todo mundo se o senhor dono da cultura piauiense TENTASSE trocar os seus cascos de cavalo por um par de pés minimamente humanos...

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P.s. Friso que para mim esse assunto desagradabilíssimo está encerrado, mas, se preciso, retrucarei à altura, que NÃO tenho MEDO NENHUM do coronel, nem dos áulicos do coronel.                             

segunda-feira, 28 de maio de 2012

MACHADO DE ASSIS E O MAIS CÉLEBRE ERRO TIPOGRÁFICO DA LITERATURA BRASILEIRA

(...)


Qualquer bibliófilo sabe que a primeira edição de uma obra é sempre mais valiosa que as outras, apesar de muitas vezes ter sido impressa em papel de pior qualidade ou da má qualidade de sua impressão. O seu valor acaba por ser alto justamente porque são raros e poucos a possuem.

Mas há casos em que uma primeira edição se torna mais valorizada devido a um erro tipográfico que escapou à revisão do editor ou do autor e foi parar às livrarias. Corrigido o erro nas edições subsequentes, estes exemplares conquistam então o status de raridade bibliográfica. Este é o caso da primeira edição das Poesias Completas de Machado de Assis, publicado em 1901 pela Livraria Garnier.



Machado de Assis – Poesias completas. 1ª edição. Rio de Janeiro: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1901. VI, 376 p., 24 p. Frontispício de Machado de Assis. Possui notas, índice e catálogo da Garnier.

Ao organizar este volume das suas Poesias Completas, Machado de Assis reuniu os livros Crisálidas (1864), Falenas (1870) e Americanas (1875), expurgando-os de algumas poesias e acrescentando um novo conjunto, intitulado Ocidentais.

No começo do século XIX quase todos os livros desta editora eram impressos na França, mas, apesar da revisão cuidadosa que era feita nas suas publicações, às vezes escapavam alguns erros. E foi justamente nesta obra, do mais importante autor brasileiro, que escapou um erro gravíssimo: Machado escrevera à página 20, no prefácio, “… cegara o juízo …”e o tipógrafo francês trocou o e por um a!


Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro tipográfico)


O erro só foi percebido depois que a edição já estava na livraria e alguns exemplares tinham sido vendidos. Para corrigir o erro, um empregado da livraria (Everardo Lemos) sugeriu raspar com cuidado a letra a e escrever a letra e com tinta nanquim.

Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro corrigido à mão)

Depois o editor Garnier providenciou a reimpressão da folha onde aparecia o erro, para substituí-la em todos os exemplares que ainda não tinham sido vendidos…

Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro corrigido tipograficamente)


Por causa disso existem três tipos de exemplares da primeira edição das Poesias Completas de Machado de Assis: o primeiro sem a correção (raríssimo), com a palavra cagara, o segundo com a correção feita a mão e o terceiro com a folha impressa sem o erro.

O felizardo que possuir na sua biblioteca um exemplar sem a correção tem em mãos uma obra cobiçada por qualquer bibliófilo digno deste nome.

São estes pequenos – ou melhores grandes pormenores – que fazem a beleza da pesquisa e cobiça bibliófila.


Saudações bibliófilas,
[José Mindin].

Fontes:
Rubens Borba de Moraes – O Bibliófilo Aprendiz, Cia Editora Nacional, 2ª Ed., (1975)

Veja texto completo, com título original, em http://tertuliabibliofila.blogspot.com.br/2010/10/poesias-completas-de-machado-de-assis.html

segunda-feira, 7 de maio de 2012

!LANÇAMENTO NA ADUFPI, EM 01/06, 2Oh!! COMPAREÇA!!!


DEI PRA MAL DIZER: CONTOS ERÓTICOS, de J. L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho, com ilustrações de Antônio Amaral.

domingo, 25 de março de 2012

LAÇOS DE SANGUE

Maria da Fé, CID10F31 > Maria da Fé Filha, CID10F31 > Maria da Fé Neta, CID10F31, não teve filhos ela, linda qual uma utopia, ela, a mais bela das desdenhosas, ela, capricorniana da gema, não transmitiu ela, resoluta, a nenhuma criatura o legado da nossa miséria...

domingo, 18 de março de 2012

TORRES DE PAPEL

Foto: www.portalaz.com.br/arimateia

quinta-feira, 8 de março de 2012

A IGNORÂNCIA É AUDACIOSA E A CENSURA É LASTIMÁVEL


seNTIDO DA PALAVRA


Censura ao dicionário e a liberdade de expressão


A informação é oficial, oriunda da página da Procuradoria da República de Minas Gerais na internet: o Ministério Público Federal em Uberlândia ajuizou ação civil pública para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, o qual conteria expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos. O Ministério Público Federal acusa o dicionário da prática de crime de racismo (artigo 20 da Lei 7.716/89).
O episódio revela aquele que parece ser o maior paradoxo do livre exercício do poder: ele pode degradar a si mesmo, levando consigo parcela da democracia e dos direitos que lhe são inerentes. O despropósito da acusação se evidencia com um argumento singelo, considerada a seriedade da obra questionada: a manifesta ausência de qualquer intenção racista. O risco do precedente, entretanto, nos convoca a uma reflexão.
Ninguém está obrigado a colocar-se de acordo com o conteúdo de uma obra da envergadura de um dicionário. Menos ainda a concordar com a totalidade dos sentidos atribuídos às milhares de expressões que procura definir. Entretanto, é preciso que estejamos vigilantes em face de todo o tipo de boas ideias que se queiram fazer impor de cima para baixo, como uma razão de Estado.
Conceitos não são unívocos, nem irrebatíveis, conforme indicam exemplos retirados da mesma e questionada fonte. A uma prostituta não seria propriamente agradável ver sua atividade definida como um desonra ou rebaixamento moral (Dicionário Houaiss, 2001, p. 2316); a um ateu não se aplicaria irrestritamente a pecha de desrespeitoso com as crenças religiosas (p. 334), bem como a um cristão não se deveria genericamente qualificar como pessoa “de aceitação insuportável” (p. 874). Um hipócrita não é permanentemente “fingido, falso, dissimulado” (p. 1538). Soa igualmente estranho que um escravo possa ser definido como um “amante extremamente dedicado” (p. 532), assim como nem todo crítico é “maledicente” ou “perigoso” (p. 875). Aliás, nem todo burocrata “exorbita de suas funções e assume atitudes intoleráveis no desempenho dessas” (532).
Ou seja, os sentidos emprestados às expressões não têm compromisso com uma verdade absoluta (por definição, inalcançável) ou com bons modos. Antes, são retratos da cultura, boa ou má, que perfaz a (nossa) História. Uma História cuja pretensão de aperfeiçoamento não se conquista com a negação do mal ou do injusto, mas com seu reconhecimento. O holocausto, por exemplo, é permanentemente relembrado. E é bom que assim seja, para evitar que a barbárie se repita. Talvez por essa razão, e a despeito de terrivelmente constrangedora, a expressão “judiaria” encontra como uma de suas múltiplas acepções a conduta de “maltratar alguém, física ou moralmente” (Dicionário Houaiss, 2001, p. 1.688) – em realidade, constrangedora é a História, e não o dicionário.
Em resumo, no mercado de ideias, a arte, a literatura e a opinião devem impor-se por si mesmas, por mais aborrecedoras que se revelem. Esse é o preço que pagamos por viver em um regime de liberdade. Um preço barato, se contrastado com o risco de seu oposto: o risco de um Estado que decida sobre o que devemos ler, concordar ou dissentir. Nessa linha, caberia recordar, com Cass Sunstein (Why Societies Needs Dissent, London: Harvard University Press, 2003), que o histórico e honorável rol de dissidentes inclui, entre outros tantos, Galileo, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Se qualquer desses dissidentes estava, ou não, com a razão, essa não é uma razão de Estado.
Como anotou o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais em manifestação lançada, na condição de Amicus Curiae, na ADPF 187 (ação que discutia a legitimidade da denominada “Marcha da Maconha”, exemplarmente ajuizada pela Procuradoria Geral da República perante o Supremo Tribunal Federal), não existiria qualquer razão para que os direitos de liberdade de expressão, de crítica, de criação artística e de manifestação fossem alçados a tal condição caso seu âmbito normativo garantisse, exclusivamente, a exteriorização de concepções compartilhadas pela ampla maioria da sociedade. Se para isso servissem, comporiam uma inimaginável categoria de direitos desnecessários; não seriam, pois, verdadeiros direitos.
Por fim, não deixa de ser curioso que o alvo da acusação de racismo seja Houaiss. Justamente Houaiss, que foi relator, na década de 1960, da IV Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas cuja atribuição era conduzir o processo de descolonização de países africanos e asiáticos. É dele, Houaiss, a referência ao velho Wittgenstein, lançada no pórtico do dicionário sob ameaça de censura: “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. Que siga sendo assim.
Luciano Feldens é advogado, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUC-RS.
Fonte: Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2012.