segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TROFÉU POLEGAR PRA CIMA 2012

O Troféu Polegar Pra Cima 2012 vai para...

... a Revista Revestrés, um clarão na atual noite cultural piauiense! Então,

parabéns a Wellington Soares e demais editores desse importante periódico cultural!!

TROFÉU LIMÃO AZEDO 2012

O Troféu Limão Azedo 2012 vai para...

... o poeta William Melo Soares...

que, pasmem!, neste ano vestiu fardão e...  virou acadêmico!! Então,

Limão Azedo nos olhos dele!!!  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: uma definição necessária

AIRTON SAMPAIO

Mantive, durante mais ou menos três anos, inúmeras conversas de trabalho com o poeta Paulo Machado, interrompidas pelos sortilégios que se abateram sobre minha vida, as quais tinham como objetivo a elaboração de um livro didático, com título não definido, que trataria de uma periodização o mais possível rigorosa da Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP). Chegamos então, ao cotejar as diversas periodizações já propostas, à solar conclusão de que todas, sem sequer uma exceção, se caracterizam pela falta do rigor metodológico indispensável a uma pesquisa, o que não raro resultou em ultrassubjetivismos arbitrários, permeados por imprecisões decorrentes de desleixos injustificáveis. Com efeito, de João Pinheiro a Luís Romero Lima, passando por Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Adrião Neto, há, a despeito das inegáveis contribuições oferecidas, desde propostas esdrúxulas até categorias conceituais pessimamente laboradas de que, neste artigo, se darão alguns exemplos. 
É o caso do uso, inadequadamente feito, da categoria vanguarda. Ora, não devia ser novidade para ninguém que esse termo, que vem do francês avant-garde (“postar-se à frente”), não pode ser utilizado para abrigar sob o seu apertadíssimo guarda-chuva qualquer artista, por melhor que ele seja, apenas a talante do gosto do historiógrafo, como se dá com Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Luís Romero Lima, que chegam ao absurdo de categorizar como vanguardistas autores que nem Fontes Ibiapina, escritor tradicionalíssimo, e José Magalhães da Costa, seguidor estético-temático de Fontes e que de vanguardista também não tem nada, autor que é de uma contística regionalista excessivamente presa a ditos e causos e assim a anos-luz de uma literatura de ruptura estética com a tradição conservadora, que é isso que é, em síntese, uma arte de vanguarda, uma ruptura estética radical com o passado. Aliás, na LBAP o único artista que pode ser chamado de vanguardista, com o devido rigor que a palavra requer, é Torquato Neto, que nas diversas linguagens que praticou (literatura, cinema, jornalismo, etc) o fez sempre de maneira ruptorial e numa perspectiva experimental de radical renovação, o que não se pode dizer nem do genial Mario Faustino que, mesmo aberto às experimentações alheias (vide sua página Poesia-Experiência, no SDJB, 1956-1958), como a dos concretos, aos quais destemidamente apoiou, jungido no entanto ficou, conscientemente, ao verso (o “último verse-maker”, nas palavras de Augusto de Campos) e em geral verso clássico, que expressa uma mundividência oriunda da tradição greco-romana. Assis Brasil? Afora os peculiares romances “Beira Rio, Beira Vida”, “Os Que bebem como os Cães” e “Deus, o Sol, Shakespeare”, que de fato se aproximam de uma atitude de vanguarda porque são, em certa medida, inovadores e ruptoriais, exceto essas três obras as demais de Assis Brasil não devem ser, com a necessária precisão teórica, apodadas de vanguardistas. 
Outro problema assaz presente na historiografia referente à LBAP é a confusão, fácil de ser desfeita mas insistentemente reiterada, que os historiógrafos piauienses difundem entre Geração literária e Grupo literário. Denominam, por exemplo, de Geração Meridiano e Geração Clip o que, na verdade, são Grupos literários: o GRUPO MERIDIANO, formado no âmago da Geração de 1945 (veja-se que o próprio Mario Faustino, que é da Geração de 1945, não integrou o GRUPO MERIDIANO, que contou com O G. Rego de Carvalho, H. Dobal, Vítor Gonçalves Neto, etc), e o GRUPO CLIP, constituído no interior da Geração de 1960 (veja-se que o próprio Torquato Neto, que é da Geração de 1960, muito longe esteve de integrar o GRUPO CLIP, que contou com Francisco Miguel de Moura, Herculano Morais, Hardi Filho, etc). Não há também, nesse sentido, na LBAP, uma Geração Acadêmica ou Áurea, mas a brilhantíssima Geração de 1900, na qual indubitavelmente se sobressaiu o seminal GRUPO ACADÊMICO (Lucídio Freitas, Clodoaldo Freitas, Baurélio Mangabeira, etc). 
Não bastassem essas impropriedades todas , existem ainda os desleixos injustificados, muitas vezes estapafúrdios, entre os quais avulta a nominação errônea não de um escritor qualquer, mas do primeiro grande poeta do Piauí --- LEONARDO DA SENHORA DAS DORES CASTELLO-BRANCO, que ele mesmo ASSIM assina, mas insistentemente grafado, inclusive pela festejada professora-doutora-pesquisadora Teresinha Queirós, como Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco, um erro talvez cometido em primeiro lugar por João Pinheiro e depois reproduzido por quase todos os que opinaram sobre a obra do autor do magnífico poema “A Creação Universal” sem, provavelmente, a terem sequer lido, já que nem o nome artístico do Poeta escrevem com correção. Ademais, ainda que relacionados e mesmo que o primeiro às vezes possa ser ao segundo igualado, por demais diferentes são fato estético e fato histórico, mas na historiografia da LBAP não é raro se deparar, por exemplo, com afirmações que incluem como fatos estéticos a fundação da Academia Piauiense de Letras, sem dúvida um fato apenas histórico, e que atribuem a um suposto diário de guerra de Fidié, também certamente não lido, o condão de texto iniciador da LBAP. Assim, meus caros, não dá... 
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Fonte: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 25 mar 2007, p. 18. 

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: uma historiografia sem rigor

AIRTON SAMPAIO 

Mantive, durante mais ou menos três anos, inúmeras conversas de trabalho com o poeta Paulo Machado, interrompidas pelos sortilégios que se abateram sobre minha vida, as quais tinham como objetivo a elaboração de um livro didático, com título não definido, que trataria de uma periodização o mais possível rigorosa da Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP). Chegamos então, ao cotejar as diversas periodizações já propostas, à solar conclusão de que todas, sem sequer uma exceção, se caracterizam pela falta do rigor metodológico indispensável a uma pesquisa, o que não raro resultou em ultrassubjetivismos arbitrários, permeados por imprecisões decorrentes de desleixos injustificáveis. Com efeito, de João Pinheiro a Luís Romero Lima, passando por Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Adrião Neto, há, a despeito das inegáveis contribuições oferecidas, desde propostas esdrúxulas até categorias conceituais pessimamente laboradas de que, neste artigo, se darão alguns exemplos. 
É o caso do uso, inadequadamente feito, da categoria vanguarda. Ora, não devia ser novidade para ninguém que esse termo, que vem do francês avant-garde (“postar-se à frente”), não pode ser utilizado para abrigar sob o seu apertadíssimo guarda-chuva qualquer artista, por melhor que ele seja, apenas a talante do gosto do historiógrafo, como se dá com Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Luís Romero Lima, que chegam ao absurdo de categorizar como vanguardistas autores que nem Fontes Ibiapina, escritor tradicionalíssimo, e José Magalhães da Costa, seguidor estético-temático de Fontes e que de vanguardista também não tem nada, autor que é de uma contística regionalista excessivamente presa a ditos e causos e assim a anos-luz de uma literatura de ruptura estética com a tradição conservadora, que é isso que é, em síntese, uma arte de vanguarda, uma ruptura estética radical com o passado. Aliás, na LBAP o único artista que pode ser chamado de vanguardista, com o devido rigor que a palavra requer, é Torquato Neto, que nas diversas linguagens que praticou (literatura, cinema, jornalismo, etc) o fez sempre de maneira ruptorial e numa perspectiva experimental de radical renovação, o que não se pode dizer nem do genial Mario Faustino que, mesmo aberto às experimentações alheias (vide sua página Poesia-Experiência, no SDJB, 1956-1958), como a dos concretos, aos quais destemidamente apoiou, jungido no entanto ficou, conscientemente, ao verso (o “último verse-maker”, nas palavras de Augusto de Campos) e em geral verso clássico, que expressa uma mundividência oriunda da tradição greco-romana. Assis Brasil? Afora os peculiares romances “Beira Rio, Beira Vida”, “Os Que bebem como os Cães” e “Deus, o Sol, Shakespeare”, que de fato se aproximam de uma atitude de vanguarda porque são, em certa medida, inovadores e ruptoriais, exceto essas três obras as demais de Assis Brasil não devem ser, com a necessária precisão teórica, apodadas de vanguardistas. 
Outro problema assaz presente na historiografia referente à LBAP é a confusão, fácil de ser desfeita mas insistentemente reiterada, que os historiógrafos piauienses difundem entre Geração literária e Grupo literário. Denominam, por exemplo, de Geração Meridiano e Geração Clip o que, na verdade, são Grupos literários: o GRUPO MERIDIANO, formado no âmago da Geração de 1945 (veja-se que o próprio Mario Faustino, que é da Geração de 1945, não integrou o GRUPO MERIDIANO, que contou com O G. Rego de Carvalho, H. Dobal, Vítor Gonçalves Neto, etc), e o GRUPO CLIP, constituído no interior da Geração de 1960 (veja-se que o próprio Torquato Neto, que é da Geração de 1960, muito longe esteve de integrar o GRUPO CLIP, que contou com Francisco Miguel de Moura, Herculano Morais, Hardi Filho, etc). Não há também, nesse sentido, na LBAP, uma Geração Acadêmica ou Áurea, mas a brilhantíssima Geração de 1900, na qual indubitavelmente se sobressaiu o seminal GRUPO ACADÊMICO (Lucídio Freitas, Clodoaldo Freitas, Baurélio Mangabeira, etc). 
Não bastassem essas impropriedades todas , existem ainda os desleixos injustificados, muitas vezes estapafúrdios, entre os quais avulta a nominação errônea não de um escritor qualquer, mas do primeiro grande poeta do Piauí --- LEONARDO DA SENHORA DAS DORES CASTELLO-BRANCO, que ele mesmo ASSIM assina, mas insistentemente grafado, inclusive pela festejada professora-doutora-pesquisadora Teresinha Queirós, como Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco, um erro talvez cometido em primeiro lugar por João Pinheiro e depois reproduzido por quase todos os que opinaram sobre a obra do autor do magnífico poema “A Creação Universal” sem, provavelmente, a terem sequer lido, já que nem o nome artístico do Poeta escrevem com correção. Ademais, ainda que relacionados e mesmo que o primeiro às vezes possa ser ao segundo igualado, por demais diferentes são fato estético e fato histórico, mas na historiografia da LBAP não é raro se deparar, por exemplo, com afirmações que incluem como fatos estéticos a fundação da Academia Piauiense de Letras, sem dúvida um fato apenas histórico, e que atribuem a um suposto diário de guerra de Fidié, também certamente não lido, o condão de texto iniciador da LBAP. Assim, meus caros, não dá... 
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Fonte: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 25 mar 2007, p. 18. 

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: a falta que uma crítica militante faz

AIRTON SAMPAIO 

Creio que um dos motivos do desconhecimento e dos muitos equívocos que grassam feito praga sobre a Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP) é a quase ausência, ao longo dos duzentos anos de sua história (a completar-se em 2008, quando se atingirá o bicentenário da edição de “Poemas”, de Ovídio Saraiva), de uma crítica literária militante. Sem essa necessária mediação entre o autor, a obra publicada e o leitor não-especializado, a LBAP fica travada, sem maiores questionamentos e sem abalizados e orientadores juízos de valor. 
No Piauí, a crítica literária sempre foi avulsa e aperiódica, incontumaz e não militante. Para piorar a situação, se emprenhou de compadrio, sendo raro o reconhecimento do valor estético da obra de um autor nos textos críticos de alguém a cuja confraria, igreja ou panela o coitado não pertença, o que se dá, infelizmente, até nas formulações do melhor crítico que hoje o Piauí possui, o ensaísta Ranieri Ribas, apesar da sua linguagem empolada e impenetrável. Ademais, sublinhe-se que qualquer crítica, mesmo fundamentada e exclusivamente dirigida à obra, mas que saliente elementos negativos, provoca no criticado uma reação costumeiramente irada, habitus que afasta da militância desse gênero de prosa até os mais preparados para exercê-lo. 
Ponha-se também esse débito de uma crítica literária teoricamente capacitada no passivo do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, cujo cinqüentenário de instalação no Estado ocorrerá no próximo ano. Ora, chega a estarrecer, ressalvadas as exceções de praxe, que professores de literatura brasileira desse Curso tenham feito e façam dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre autores não-piauienses, muitos com fortunas críticas já avantajadas, num franco descompromisso com a realidade local, a que a Universidade deveria estar umbilicalmente ligada. 
Não se trata de obrigar a quem quer que seja a escrever sobre fatos literários locais, mas é lamentável a inexistência, em Letras da Ufpi, de uma DIRETRIZ BÁSICA de pesquisa que INCENTIVE à OPÇÃO POLÍTICA pela realização de estudos que enfrentem os problemas da realidade piauiense. Do jeito que é, a depender unicamente da vontade pessoal, pode-se dissertar até sobre a cor branca na obra de um, digamos, simbolista catarinense, olvidando-se, talvez por ignorância, a poética de um Jonas da Silva. Frise-se, também com exceções de praxe à parte, que o Mestrado Acadêmico em Letras do CCHL da UFPI parece seguir pela mesma trilha, embora, a exemplo da Uespi, com menos desvios temáticos. 
Um mineiro dedicará tempo e dinheiro público ao estudo de um autor piauiense? Aqui, porém, nos damos o LUXO de gastar dinheiro público e tempo com autores mineiros. Um gaúcho, então, o fará? Ou um carioca? É claro, pelo menos em regra, que não. Enquanto isso estão aí, à espera de abordagens medianamente categorizadas, poetas como Paulo Machado, cronistas como Cineas Santos, contistas como Carlos Castelo Branco, romancistas como Esdras do Nascimento, dramaturgos como Gomes Campos. Com todo esse MANANCIAL, o que justifica dispender energias com o estudo, por exemplo, de um escritor paranaense? Não se trata, como decerto entenderão os contumazes provocadores de equívocos, de miopia analítica ou mero bairrismo, mas da VINCULAÇÃO NECESSÁRIA da Universidade Federal do PIAUÍ à realidade em que está inserida. 
É óbvio que, no dia em que nossos escritores mais significativos estiverem com FORTUNAS CRÍTICAS MINIMAMENTE ASSENTADAS (no caso do nosso magnífico Poeta Ecumênico, contribui agora para isso o recém-editado e excelente ensaio do professor João Kennedy Eugênio, Os Sinais do Tempos: intertextualidade e crítica da civilização em H. Dobal), nesse dia então é claro que podemos serenamente nos dar o luxo de empenhar energia, tempo e dinheiro público no estudo de autores, nem sempre relevantes, de além-Piauí, como por exemplo o antivanguardista atávico Affonso Romano de Sant´Anna, que não alcança, marketing à parte, o valor estético de um cronista e poeta como o oeirense Rogério Newton (a propósito, leiam, de Rogério Newton, “Ruínas da Memória“, 1994, “Pescadores da Tribo”, 2001, “Último Hound”, 2003, e “Conversa Escrita n´Água”, 2006). 
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fONTE: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 29 maio 2007, p. 18. 

domingo, 18 de novembro de 2012

PÔR DO SOL

Aquele que ali vem não é Jomar, apesar do andar estabanado do Jomar. Esse, que aí vai, é quase um clone do Rudá e seus passos miúdos e ligeiros. Esta que logo se torna uma estranha bem que podia ser Sara, amor da minha longa vida jamais realizado num único beijo sequer, mas não é a Sara, a mais bela das desdenhosas do nosso tempo. Por que o tal médico dela o escolhido? Ainda hoje desatino a razão da extremada sorte dele, que o cu voltado pra lua nunca tive. De longe, se apurar bem a velha vista, vejo Homero, apressado rumo ao jornal onde diariamente não dava trégua aos corruptos, mesmo sempre derrotado. E aquela acolá...

Bem, uma vez por semana me trazem do abrigo de anciãos até aqui e ali, num banco da igreja do Amparo a custo me ajoelham, e rezo. Ele, porém, a súplica há muito não me atende e vou ficando aqui quando todos os que amo e odeio já lá, aquietados, no outro lado do mistério, estão. Que pecado tão capital cometi nessa quase centúria? Não, minhas faltas não têm esse valor, que nunca passaram elas de erros que só a mim prejudicaram, como quando joguei tudo pro ar para correr atrás de um rabo de saia que logo se esvaiu, coisas de que essas doenças que me torturam já são juros mais que suficientes acrescidos ao pagamento que, por uns trinta anos, já efetuo. Então, por que não me atende Ele o pedido? Por que não me pode a Noite sobre mim, enfim, descer? Até meus desaparecidos inimigos, uns dois ou três mais empedernidos, até eles decerto concordariam que fazer cem anos é sacrifício que, como dizem no tempo de agora, ninguém merece...       

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CENSURA NÃO!!!


É fato que um povo que não conhece sua história está condenado a repetir as aberrações que nela já aconteceram. Hoje, Dia do Piauí, publicam e tocam intensa e ufanisticamente o Hino do estado. Mas NINGUÉM informa um Crime Gravíssimo: a letra do Hino, do poeta Da Costa e Silva, teve toda uma estrofe, a que era a terceira, CENSURADA E SUPRIMIDA por ser "panteísta" e, portanto, não católica!!! Vejam a estrofe, que devia ser reposta na letra: "Prolifica no pasto o rebanho / Arde o fogo sagrado do lar / Brota o pão nas labutas do amanho / Por milagre de um Deus tutelar". (Fonte: SOUZA, Paulo Gutemberg de. História e identidade: as narrativas da piauiensidade. Teresina: EDUFPI, 2010). Aguenta, Terra Querida!!!
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  • Airton Sampaio de Araújo Como se não bastasse, "refazedores" da história têm tido, de seus gabinetes refrigerados, a tétrica ideia de CENSURAR MAIS UMA VEZ O POETA, suprimindo do Hino a atual terceira, sempre a terceira!!!, estrofe, que começa com "Desbravando os campos distantes..." Dizem que aí o poeta faz apologia dos crimes dos bandeirantes, descontextualizando-se, burramente, o momento histórico em que viveu Da Costa e Silva. É o mesmo que os PeTralhas estão querendo fazer com Monteiro Lobato. NÃO!!! CENSURA NUNCA MAIS!!!

    Não é à toa que ATUALMENTE um canal de televisão se acha PROIBIDO de mencionar um senador da República, integrante da oligarquia que infelicita este estado há séculos. A história, aqui na Fazenda Piauí, apenas continua... NÃO!!! CENSURA NUNCA MAIS!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ATO FALHO


Sozinho, demais, no apê. Trancou a porta da cozinha. Fechou o basculante. Pôs algodões nas frestas. Ligou o gás. Deitou, de bruços, no chão. Surpreendeu-se numa cama de hospital. Doutor, quem teria sido o merda que...

Fonte: Blog da Confraria Tarântula

domingo, 19 de agosto de 2012

NÃO CORTA! PONTO.

Mário Ângelo de Meneses Sousa
Presidente da ADUFPI-SSIND

Nos últimos dias o reitor da Universidade Federal do Piauí, Luiz de Sousa Santos Júnior, vem se utilizando de uma intensa exposição na mídia para a obtenção de um objetivo nada louvável: intimidar docentes e técnicos da UFPI através da ameaça do corte de ponto. Com isso, procura a todo custo pôr fim à greve das duas categorias.
Sob o comando do reitor, pró-reitores disparam memorandos a diretores de unidades e de campi com a determinação de que as ausências sejam apuradas para, segundo eles, serem efetivados os descontos. O candidato do reitor à sua sucessão, Arimateia Lopes, silencia coniventemente enquanto os seus principais apoiadores enfatizam a ordem do reitor: “ou volta ou mando cortar o ponto!”
De fato, existe uma íntima articulação entre o esforço do reitor para pôr fim à greve e os interesses do candidato Arimateia Lopes: ao criar inúmeros casuísmos com o objetivo de garantir sem riscos a eleição do seu protegido o reitor acabou atrasando perigosamente o processo, chegando agora a uma situação de desespero que o leva a querer fazer a eleição a qualquer custo, mesmo descumprindo ordem judicial.
A ameaça do corte de ponto, portanto, não diz respeito a uma eventual preocupação do reitor com o funcionamento da universidade. A preocupação é outra: ele sabe que à luz do decreto 1916/96 só tem até o próximo dia 13 de setembro para o envio da lista tríplice ao MEC. De outro modo, fatalmente será nomeado, ao final do seu mandato, um reitor pró-têmpore, jogando por terra o sonho de Luiz Júnior de utilizar a máquina universitária em favor do seu candidato. Beneficiário da pretensa intimidação do reitor, o senhor Arimateia Lopes não apenas silencia diante da intimidação, mas a estimula.
Entretanto, o reitor Luiz Júnior não tem condições políticas, morais e jurídicas de cortar o ponto dos professores e servidores. A ANDIFES, entidade que congrega os reitores das universidades e institutos federais, já orientou os reitores a não fazerem o corte, enquanto o MEC, através do próprio Ministro Aloísio Mercadante, anunciou que o corte de ponto seria um grande equívoco, na medida em que comprometeria a reposição das aulas. Ao tentar intimidar a comunidade universitária, colocando-se na contramão da ANDIFES e do próprio MEC, Luiz Júnior se arrisca a impor-se uma nova derrota: ser desmoralizado diante até mesmo de seus pares por não poder cumprir a ameaça de cortar o ponto.
ADUFPI, assim como as sessões do ANDES em todo o Brasil, seguirá conduzindo a greve com responsabilidade e respeito. A nossa expectativa é de que o governo atenda à urgente necessidade de reestruturar a carreira docente e atender as reivindicações das melhorias das condições de trabalho dos professores (as) para que possamos todos (as) retomar as salas de aula. Mas o final da greve não se dará pela intimidação de quem quer que seja. Apenas às assembleias docentes é dado o poder de dizer quando e como ela deve acabar.
Quanto ao corte de ponto que o reitor da UFPI anuncia, não passa de uma bravata: além de não dispor de condições políticas e morais para fazê-lo ele igualmente não fará pelo simples fato de que o desconto de salário dos servidores que aderirem á greve não está previsto em lei, de modo que qualquer ato da administração da UFPI não existe amparo no ordenamento jurídico. Portanto, conclusivamente podemos dizer: Não corta! Ponto.

Fonte: http://www.adufpi.org.br/noticias/nao-corta-ponto

domingo, 12 de agosto de 2012

ARAGUAIA

Num dia branco, dia comum de faxina, Vítor deparou, sem querer, a mensagem de Telma. O autor do texto datilografado, com as letras G e R sempre maiúsculas, era Conrado, mas vinha, ele sabia, da irmã de Maria Lúcia. Calou-se. Percebia, porém, a mulher cada vez mais angustiada. Não devia soltar-se dela?  Tinha o direito de, para não perdê-la, prendê-la?

O temido bilhete, certo dia, na porta do quarto. Fitou-o, lágrimas caindo. Então foi ver Araguaia, travessa e linda, no berço.
— Filha, requeri e enfim recebi do governo uma indenização, após o reconhecimento oficial de sua mãe como desaparecida política. Este cheque lhe pertence.
— Pai, entregue isso à Anistia Internacional.


Por um instante, Vítor vislumbrou Maria Lúcia. As mesmas feições. Os mesmo gestos. Os mesmos atos. Abraçaram-se, Araguaia no seu colo, que nem nos árduos e brejeiros tempos de menina.


Pouco depois, caminhando pelas margens do Poti, ladeado por shoppings e espigões, ela parou e fixou-se no próprio nome. Araguaia. Araguaia. Araguaia. Mirou o rio de sua aldeia, belo porque o rio de sua aldeia. Pensou no pai. Pensou na mãe. Sim, o amor existia!


— Moça... 
Assustou-se. 
— Uma esmola, por Deus...

Deu um dinheiro ao mendigo e pôs-se a refletir, à visão daquele ser esfarrapado, que as injustiças permaneciam intactas. Mas ela se chamava Araguaia. E seu nome, como lhe dizia o pai, seu nome, filha, seu nome é uma pintura rupestre gravada na carne e no sangue da truculenta história deste país.


Fonte: Confraria Tarântula, a teia do conto