sexta-feira, 19 de outubro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
ATO FALHO
Sozinho, demais, no apê. Trancou a porta da cozinha. Fechou o
basculante. Pôs algodões nas frestas. Ligou o gás. Deitou, de bruços, no chão.
Surpreendeu-se numa cama de hospital. Doutor, quem teria sido o merda que...
Fonte: Blog da Confraria Tarântula
Fonte: Blog da Confraria Tarântula
domingo, 19 de agosto de 2012
NÃO CORTA! PONTO.
Mário Ângelo de Meneses Sousa
Presidente da ADUFPI-SSIND
Nos últimos dias o reitor da Universidade Federal do Piauí, Luiz de Sousa Santos Júnior, vem se utilizando de uma intensa exposição na mídia para a obtenção de um objetivo nada louvável: intimidar docentes e técnicos da UFPI através da ameaça do corte de ponto. Com isso, procura a todo custo pôr fim à greve das duas categorias.
Fonte: http://www.adufpi.org.br/noticias/nao-corta-ponto
Presidente da ADUFPI-SSIND
Nos últimos dias o reitor da Universidade Federal do Piauí, Luiz de Sousa Santos Júnior, vem se utilizando de uma intensa exposição na mídia para a obtenção de um objetivo nada louvável: intimidar docentes e técnicos da UFPI através da ameaça do corte de ponto. Com isso, procura a todo custo pôr fim à greve das duas categorias.
Sob o comando do reitor, pró-reitores disparam memorandos a diretores de
unidades e de campi com a determinação de que as ausências sejam
apuradas para, segundo eles, serem efetivados os descontos. O candidato do
reitor à sua sucessão, Arimateia Lopes, silencia coniventemente enquanto os
seus principais apoiadores enfatizam a ordem do reitor: “ou volta ou mando
cortar o ponto!”
De fato, existe uma
íntima articulação entre o esforço do reitor para pôr fim à greve e os
interesses do candidato Arimateia Lopes: ao criar inúmeros casuísmos com o
objetivo de garantir sem riscos a eleição do seu protegido o reitor acabou
atrasando perigosamente o processo, chegando agora a uma situação de desespero
que o leva a querer fazer a eleição a qualquer custo, mesmo descumprindo ordem
judicial.
A ameaça do corte
de ponto, portanto, não diz respeito a uma eventual preocupação do reitor com o
funcionamento da universidade. A preocupação é outra: ele sabe que à luz do
decreto 1916/96 só tem até o próximo dia 13 de setembro para o envio da lista
tríplice ao MEC. De outro modo, fatalmente será nomeado, ao final do seu mandato,
um reitor pró-têmpore, jogando por terra o sonho de Luiz Júnior de utilizar a
máquina universitária em favor do seu candidato. Beneficiário da pretensa
intimidação do reitor, o senhor Arimateia Lopes não apenas silencia diante da
intimidação, mas a estimula.
Entretanto, o
reitor Luiz Júnior não tem condições políticas, morais e jurídicas de cortar o
ponto dos professores e servidores. A ANDIFES, entidade que congrega os
reitores das universidades e institutos federais, já orientou os reitores a não
fazerem o corte, enquanto o MEC, através do próprio Ministro Aloísio
Mercadante, anunciou que o corte de ponto seria um grande equívoco, na medida
em que comprometeria a reposição das aulas. Ao tentar intimidar a comunidade
universitária, colocando-se na contramão da ANDIFES e do próprio MEC, Luiz
Júnior se arrisca a impor-se uma nova derrota: ser desmoralizado diante até
mesmo de seus pares por não poder cumprir a ameaça de cortar o ponto.
A ADUFPI, assim como as
sessões do ANDES em todo o Brasil, seguirá conduzindo a greve com
responsabilidade e respeito. A nossa expectativa é de que o governo atenda à
urgente necessidade de reestruturar a carreira docente
e atender as reivindicações das melhorias das condições de trabalho dos
professores (as) para que possamos todos (as) retomar as salas de aula. Mas o
final da greve não se dará pela intimidação de quem quer que seja. Apenas às
assembleias docentes é dado o poder de dizer quando e como ela deve acabar.
Quanto ao corte de ponto que o reitor da UFPI anuncia, não passa de uma
bravata: além de não dispor de condições políticas e morais para fazê-lo ele
igualmente não fará pelo simples fato de que o desconto de
salário dos servidores que aderirem á greve não está previsto em lei, de modo
que qualquer ato da administração da UFPI não existe amparo no ordenamento
jurídico. Portanto, conclusivamente podemos dizer: Não corta! Ponto.
Fonte: http://www.adufpi.org.br/noticias/nao-corta-ponto
domingo, 12 de agosto de 2012
ARAGUAIA
Num dia branco, dia
comum de faxina, Vítor deparou, sem querer, a mensagem de Telma. O autor do
texto datilografado, com as letras G e R sempre maiúsculas, era Conrado, mas
vinha, ele sabia, da irmã de Maria Lúcia. Calou-se. Percebia, porém, a mulher
cada vez mais angustiada. Não devia soltar-se dela? Tinha o direito de, para não perdê-la,
prendê-la?
O temido bilhete, certo dia, na porta do quarto. Fitou-o, lágrimas caindo. Então foi ver Araguaia, travessa e linda, no berço.
— Filha, requeri e enfim recebi do governo uma indenização, após o reconhecimento oficial de sua mãe como desaparecida política. Este cheque lhe pertence.
— Pai, entregue isso à Anistia Internacional.
Por um instante, Vítor vislumbrou Maria Lúcia. As mesmas feições. Os mesmo gestos. Os mesmos atos. Abraçaram-se, Araguaia no seu colo, que nem nos árduos e brejeiros tempos de menina.
Pouco depois, caminhando pelas margens do Poti, ladeado por shoppings e espigões, ela parou e fixou-se no próprio nome. Araguaia. Araguaia. Araguaia. Mirou o rio de sua aldeia, belo porque o rio de sua aldeia. Pensou no pai. Pensou na mãe. Sim, o amor existia!
— Moça...
Assustou-se.
— Uma esmola, por Deus...
Deu um dinheiro ao mendigo e pôs-se a refletir, à visão daquele ser esfarrapado, que as injustiças permaneciam intactas. Mas ela se chamava Araguaia. E seu nome, como lhe dizia o pai, seu nome, filha, seu nome é uma pintura rupestre gravada na carne e no sangue da truculenta história deste país.
O temido bilhete, certo dia, na porta do quarto. Fitou-o, lágrimas caindo. Então foi ver Araguaia, travessa e linda, no berço.
— Filha, requeri e enfim recebi do governo uma indenização, após o reconhecimento oficial de sua mãe como desaparecida política. Este cheque lhe pertence.
— Pai, entregue isso à Anistia Internacional.
Por um instante, Vítor vislumbrou Maria Lúcia. As mesmas feições. Os mesmo gestos. Os mesmos atos. Abraçaram-se, Araguaia no seu colo, que nem nos árduos e brejeiros tempos de menina.
Pouco depois, caminhando pelas margens do Poti, ladeado por shoppings e espigões, ela parou e fixou-se no próprio nome. Araguaia. Araguaia. Araguaia. Mirou o rio de sua aldeia, belo porque o rio de sua aldeia. Pensou no pai. Pensou na mãe. Sim, o amor existia!
— Moça...
Assustou-se.
— Uma esmola, por Deus...
Deu um dinheiro ao mendigo e pôs-se a refletir, à visão daquele ser esfarrapado, que as injustiças permaneciam intactas. Mas ela se chamava Araguaia. E seu nome, como lhe dizia o pai, seu nome, filha, seu nome é uma pintura rupestre gravada na carne e no sangue da truculenta história deste país.
Fonte: Confraria Tarântula, a teia do conto
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
AINDA HÁ (POUCOS) HOMENS NO PAÍS!
O PT como Patrão
“Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve
Informo que, seguindo orientação superior do MP, os
grevistas deverão ter os pontos cortados, desta forma não deverá constar
nenhuma observação na folha de ponta dos servidores que estão de greve e não
registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão de greve e mesmo assim
registraram o ponto deverão ter seus
pontos cortados (anulados) já que não trabalharam. Quanto aos servidores que estão trabalhando
normalmente e que não puderam trabalhar no dia 5 de julho por causa da greve
dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.”
Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do departamento de sistemas de informação da
secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do planejamento,
orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde setembro de
2011. Hoje comunico, publicamente, meu
pedido de exoneração.
Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à
Informação. Preciso deste salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a
partir do momento em que tenho que ferir meus princípios para manter minha
remuneração, meus princípios sempre ganharão o jogo, independente do que virá
depois. Trabalho, há bastante tempo, com
o conhecimento livre e modelos de negócios baseados nisso. Em Porto Alegre, no
final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de governo crescer levando
em conta a crença em que a liberdade
ampla para todas as formas de conhecimento era um fator gerador de inovação
tecnológica e de criação de emprego e renda. Apoiei esse projeto, mas nunca
integrei nenhum quadro do governo até setembro de 2011, quando assumi o cargo
acima mencionado, e passei a ser o responsável pelo Portal do Software Público
Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de Dados Abertos, além de outras
atividades.
Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze
anos como empresário aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um
emprego público. Aliás, esse é um aprendizado constante. Mas segui trabalhando
com minha paixão: liberdade de conhecimento como geração de inovação e
riqueza. No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do
funcionalismo federal, à qual aderiram muitos dos que estavam sob minha
coordenação.
Enfrentar uma greve como executivo público foi algo totalmente
inédito para mim. Acompanhei greves desde o tempo de meu avô, no surgimento do
PT. Toda a articulação para as greves, para a criação de uma força que mudasse
o estado, conscientizou uma população que colocou o PT no poder. Mas o PT
patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas
aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles
com os quais negociou na época em que a greve era sua.
O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não
depende mais da máquina que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela
nação, tem a certeza de que vai muito bem sozinho. E está indo mesmo!
Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para
mudá-lo e não para cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador,
jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve.
Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que
necessário. E, na greve, cultivaram ainda mais sua união na crença da
construção de um Brasil melhor.
(CÉSAR AUGUSTO BROD, responsável pela Coordenação Geral de
Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão).
Fonte: sítio do Andes
(Grifos não-originais.)
sábado, 4 de agosto de 2012
QUAL O VERDADEIRO NOME DISSO?
UFPI entregará título de Doutor Honoris Causa a Sarah Menezes
03/08/2012 14:57
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (3), aprovou por unanimidade a proposta do presidente do conselho, Reitor Luiz de Sousa Santos Júnior, para concessão do título de Doutor Honoris Causa a Sarah Menezes. A proposta do Reitor foi motivada pelas valiosas contribuições da atleta ao esporte não apenas no âmbito piauiense, mas nacional e mundial e, ainda, mais recentemente, pela brilhante atuação da judoca nas Olimpíadas de Londres, ao conquistar a medalha de ouro na categoria ligeiro (até 48 quilos).
Nos últimos anos, Sarah Menezes ministrou palestras participando de eventos realizados pela UFPI.
Fonte: sítio da ufpi
terça-feira, 31 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
BRUTA FLOR
Senhor Juiz de Direito da outrora bucólica Bodas do Sertão,
este agora largado homem, na pia batismal PEDRO nominado, desde os idos de Juno de 2011 sem PÉTALA DE OLIVEIRA, brasileiríssima, bordadeira de mão cheia, vivente hoje em lugar incerto e não sabido, vem dizer-lhe, dolorosamente, DOS FATOS:
1. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Como os corações continuavam, casamos no Dia de Santo Antônio, 1996 anos após a Grande Epifania. Ela estava linda no decotado vestido branco de cauda longa e, exultantes dentro daquela noite banhada por insistente chuva fina e aromada com inesquecível cheiro de terra molhada, achávamos que seríamos (quanta arrogância!) felizes para sempre...
2. Não tivemos filhos; não transmitimos a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.
3. Também nunca nos ardeu o desespero de ser dono de nada.
4. O motivo desse vazio, pleno da presença de uma ausência, a razão mesma disso a que os líricos chamam de Saudade? Não há motivo, nem razão. O amor acaba, seu Juiz!
5. E, pensando bem, se acabou, não era amor...
6. Ainda assim, não é porque SEI que ela não voltará que não hei de lhe deixar a porta, eternamente, aberta.
__________________
PEDRO UMBRA
FEITOR DE FACAS
Rua da Soledade, 11
Cristal Quebrado - PI
__________________
DO DIREITO E DOS PEDIDOS:
Em face do exposto, nos FATOS, pelo constituinte,
LUÍS SOTERO, causídico (OAB 1635) infra-assinado que representa legalmente o já supraqualificado artesão, consoante mandato anexo, vem, respeitosamente, a V. Exa, com fulcro no CCB, em especial nos arts..., PEDIR, por ser justo e de direito, que...
Fonte: confrariatarantula.blogspot.com.br
este agora largado homem, na pia batismal PEDRO nominado, desde os idos de Juno de 2011 sem PÉTALA DE OLIVEIRA, brasileiríssima, bordadeira de mão cheia, vivente hoje em lugar incerto e não sabido, vem dizer-lhe, dolorosamente, DOS FATOS:
1. O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Como os corações continuavam, casamos no Dia de Santo Antônio, 1996 anos após a Grande Epifania. Ela estava linda no decotado vestido branco de cauda longa e, exultantes dentro daquela noite banhada por insistente chuva fina e aromada com inesquecível cheiro de terra molhada, achávamos que seríamos (quanta arrogância!) felizes para sempre...
2. Não tivemos filhos; não transmitimos a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.
3. Também nunca nos ardeu o desespero de ser dono de nada.
4. O motivo desse vazio, pleno da presença de uma ausência, a razão mesma disso a que os líricos chamam de Saudade? Não há motivo, nem razão. O amor acaba, seu Juiz!
5. E, pensando bem, se acabou, não era amor...
6. Ainda assim, não é porque SEI que ela não voltará que não hei de lhe deixar a porta, eternamente, aberta.
__________________
PEDRO UMBRA
FEITOR DE FACAS
Rua da Soledade, 11
Cristal Quebrado - PI
__________________
DO DIREITO E DOS PEDIDOS:
Em face do exposto, nos FATOS, pelo constituinte,
LUÍS SOTERO, causídico (OAB 1635) infra-assinado que representa legalmente o já supraqualificado artesão, consoante mandato anexo, vem, respeitosamente, a V. Exa, com fulcro no CCB, em especial nos arts..., PEDIR, por ser justo e de direito, que...
Fonte: confrariatarantula.blogspot.com.br
domingo, 1 de julho de 2012
GARÇOM!
Eu, se o autor do conto, retiraria do título essa locução adjetiva.
— O Quarto Quarto da Casa... O Quarto Quarto. Gostei!
Cortaria também a terceira página.
— Toda?
É. Esse namoro aí é imbecil.
— Um pouco piegas, talvez...
Não. Imbecil, mesmo.
— Porque o cara é do tipo que ainda manda flores?
Detesto flores.
— Eu sei. Mas ele, não.
Corte esse namoro.
— Já mudei o título...
Suprima o namoro.
— Aí a mensagem de perdão, que quero passar, some...
Literatura não tem que ter mensagem.
— Mas sempre há mensagem...
Pois o leitor que a ache, com lupa.
— E pensar que você já foi um escritor engajado...
Erro de extrema juventude, meu amor, isso.
— Não sou mais tão jovem, eu, é certo.
Você é linda!
— Olhe, se eu encerrar aqui, perco o desfecho.
Fecha no clímax...
— O leitor não gosta assim, eu acho.
E a vida?
— Que é que tem a vida?
A vida por acaso é do jeito que gostamos?
— Estou falando de literatura.
Ah, tá...
— Certo. Namoro eliminado. E agora?
Agora é podar a segunda página.
— Inteira?
É. Conto não é oceano que se derrama, mas dique que o
contém.
— Viva! Você gostou da minha frase de abertura!
Conto com duas páginas já é oceano que se derrama...
— Se eu fizer assim, não destruo o clímax?
Para criar, destruir é preciso.
— Mamalujo bateu a porta atrás de si.
Ponto final.
— E o leitor?
O leitor que preencha as lacunas, ora.
— Não pode ser assim...
Deve. Ou você escreve para vender sabonete?
— Lá vem me acusar de publicitária...
E não é?
— Tá bom. Fora, clímax!
Agora, inscreva o conto.
— Tenho chance?
Não, mas tem um conto.
— Quero ganhar!
Então mantenha o título original, reponha o namoro imbecil,
preserve o clímax e deixe aí, intocado, o tal desfecho.
— Acha que ganho?
Com esse texto de primeira mijada, sim.
— Você os subestima...
Eles merecem. Vamos beber?
— Vamos.
domingo, 24 de junho de 2012
O GARGALO CULTURAL NOSSO DE CADA DIA
Airton Sampaio*
Houve uma época, antes da década de 70, em que certamente o
mais difícil na produção de um livro fosse, mais que a sua própria criação
intelectual, a sua editoração: não houvesse uma editora que lhe abrisse as
portas, o autor permaneceria inédito. A minha Geração, a Geração de 1970,
encaminhou uma solução para o problema, uma estrada alternativa, é verdade, mas
libertadora: em primeiro lugar, desaprisionou a literatura do livro, levando-a
para camisetas, bonés, adesivos, cartazes, folhetos avulsos, caixa de fósforos,
lenços, marcadores de páginas, pontos de ônibus, paredes de ruas e banheiros,
etc; em segundo, mesmo quando se manteve livresca, produziu o livro
artesanalmente, em geral por meio de fotocópias ou, principalmente, pela via do
velho e bom mimeógrafo (que um arquiconservador da Geração de 45 no Piauí
chamou de “maquininha infernal que devia ser proibida”). Resultado? Os editores
perderam muito da sua arrogância e divindade.
Hoje, porém, a editoração, embora continue difícil, não é
mais um bicho de sete cabeças. Essa tecnologia extraordinária que é a Internet
permite que, em segundos, um livro esteja disponibilizado à leitura do mundo.
Mais um golpe certeiro nos antes endeusados, inacessíveis e arrogantes editores,
e outro largo passo para a ampliação das liberdades de expressão e autonomia
autoral. No entanto, um NÓ GÓRDIO, que decerto já existia, agora assume o centro
da problemática: a divulgação, circulação e visibilidade do produto cultural.
Aqui, sim, o bicho pega.
Sabe-se que numa sociedade feita (graças a Deus!) de
relações humanas cada vez mais impessoais, o que funciona como um antídoto ao
clientelismo coronelístico, pouca eficácia tem a divulgação boca a boca, tão
própria das províncias, paróquias e povoados. Mas, para alcançar um grande
público (uma categoria sociológica), convencê-lo a adquirir um produto cultural
(no caso, o livro) e persuadi-lo a ler (um dos direitos do leitor é não ler o
que não quer ler), requer-se uma ESTRATÉGIA DE PROPAGANDA E MARKETING que, não
é segredo, custa MUITO caro (diz-se que, em Hollywood, 70% dos investimentos
num filme se fazem na divulgação maciça que se lhe imprime). Sem isso, pouco se
obtém como retorno.
Certa feita, num evento na Ufpi, um editor acostumado a
publicar os outros valendo-se sempre das tetas públicas, dirigiu-se a mim
acusando que meu livro tinha sido muito pouco vendido, embora com preço de
apenas R$ 2,00. Ora, qual a surpresa? Com uma divulgação restrita a uma ou
outra matéria de jornal, a uma ou outra notinha em coluna social, a uma ou
outra entrevista em rádio ou TV, como vender bem? Houvesse outdoors espalhados
pelas ruas, merchandising em horários nobres da televisão, banners saltando na
cara do internauta a um clique no computador, entre outros recursos
publicitários, e apesar disso pouco vendesse, então, só assim a acusação teria
sentido. Fora disso, só mesmo a arrogância de quem, atirando com dinheiro
público, se acha o suprassumo da humanidade...
E as livrarias? Nelas há que funcionar sobremaneira o
marketing, pois um livro posto na vitrine vende mais que um lançado sobre uma
gôndola giratória, que vende mais que um lançado sobre um balcão, que vende
mais que um escondidinho numa estante, que... Dia desses, fui ver a situação de
um livro meu numa dada livraria, e o produto (sim, o livro é um produto!) foi
tão difícil de a empregada mesma da loja localizar que se torna impensável que
um leitor, em geral apressado e bombardeado por anúncios os mais diversos, possa
fazê-lo... Amadorismo à parte, e no Piauí SOMOS TODOS AMADORES, esse é o
GARGALO CENTRAL a ser enfrentado: a divulgação, distribuição e visibilidade
dos produtos culturais! Se não se encaminhar uma solução mínima para isso,
o autor piauiense continuará até conhecido, mas pouco lido. Uma ou outra exceção que sói acontecer apenas confirma a
regra.
_________________________________________
*Airton Sampaio é
escritor e professor na Ufpi.
email: airtonsda@uol.com.br
Artigo publicado no jornal Diário do Povo do Piauí, Teresina, 21 jun 2012, Cultura, p. 18.
Assinar:
Postagens (Atom)