segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TROFÉU POLEGAR PRA CIMA 2012

O Troféu Polegar Pra Cima 2012 vai para...

... a Revista Revestrés, um clarão na atual noite cultural piauiense! Então,

parabéns a Wellington Soares e demais editores desse importante periódico cultural!!

TROFÉU LIMÃO AZEDO 2012

O Troféu Limão Azedo 2012 vai para...

... o poeta William Melo Soares...

que, pasmem!, neste ano vestiu fardão e...  virou acadêmico!! Então,

Limão Azedo nos olhos dele!!!  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: uma definição necessária

AIRTON SAMPAIO

Mantive, durante mais ou menos três anos, inúmeras conversas de trabalho com o poeta Paulo Machado, interrompidas pelos sortilégios que se abateram sobre minha vida, as quais tinham como objetivo a elaboração de um livro didático, com título não definido, que trataria de uma periodização o mais possível rigorosa da Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP). Chegamos então, ao cotejar as diversas periodizações já propostas, à solar conclusão de que todas, sem sequer uma exceção, se caracterizam pela falta do rigor metodológico indispensável a uma pesquisa, o que não raro resultou em ultrassubjetivismos arbitrários, permeados por imprecisões decorrentes de desleixos injustificáveis. Com efeito, de João Pinheiro a Luís Romero Lima, passando por Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Adrião Neto, há, a despeito das inegáveis contribuições oferecidas, desde propostas esdrúxulas até categorias conceituais pessimamente laboradas de que, neste artigo, se darão alguns exemplos. 
É o caso do uso, inadequadamente feito, da categoria vanguarda. Ora, não devia ser novidade para ninguém que esse termo, que vem do francês avant-garde (“postar-se à frente”), não pode ser utilizado para abrigar sob o seu apertadíssimo guarda-chuva qualquer artista, por melhor que ele seja, apenas a talante do gosto do historiógrafo, como se dá com Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Luís Romero Lima, que chegam ao absurdo de categorizar como vanguardistas autores que nem Fontes Ibiapina, escritor tradicionalíssimo, e José Magalhães da Costa, seguidor estético-temático de Fontes e que de vanguardista também não tem nada, autor que é de uma contística regionalista excessivamente presa a ditos e causos e assim a anos-luz de uma literatura de ruptura estética com a tradição conservadora, que é isso que é, em síntese, uma arte de vanguarda, uma ruptura estética radical com o passado. Aliás, na LBAP o único artista que pode ser chamado de vanguardista, com o devido rigor que a palavra requer, é Torquato Neto, que nas diversas linguagens que praticou (literatura, cinema, jornalismo, etc) o fez sempre de maneira ruptorial e numa perspectiva experimental de radical renovação, o que não se pode dizer nem do genial Mario Faustino que, mesmo aberto às experimentações alheias (vide sua página Poesia-Experiência, no SDJB, 1956-1958), como a dos concretos, aos quais destemidamente apoiou, jungido no entanto ficou, conscientemente, ao verso (o “último verse-maker”, nas palavras de Augusto de Campos) e em geral verso clássico, que expressa uma mundividência oriunda da tradição greco-romana. Assis Brasil? Afora os peculiares romances “Beira Rio, Beira Vida”, “Os Que bebem como os Cães” e “Deus, o Sol, Shakespeare”, que de fato se aproximam de uma atitude de vanguarda porque são, em certa medida, inovadores e ruptoriais, exceto essas três obras as demais de Assis Brasil não devem ser, com a necessária precisão teórica, apodadas de vanguardistas. 
Outro problema assaz presente na historiografia referente à LBAP é a confusão, fácil de ser desfeita mas insistentemente reiterada, que os historiógrafos piauienses difundem entre Geração literária e Grupo literário. Denominam, por exemplo, de Geração Meridiano e Geração Clip o que, na verdade, são Grupos literários: o GRUPO MERIDIANO, formado no âmago da Geração de 1945 (veja-se que o próprio Mario Faustino, que é da Geração de 1945, não integrou o GRUPO MERIDIANO, que contou com O G. Rego de Carvalho, H. Dobal, Vítor Gonçalves Neto, etc), e o GRUPO CLIP, constituído no interior da Geração de 1960 (veja-se que o próprio Torquato Neto, que é da Geração de 1960, muito longe esteve de integrar o GRUPO CLIP, que contou com Francisco Miguel de Moura, Herculano Morais, Hardi Filho, etc). Não há também, nesse sentido, na LBAP, uma Geração Acadêmica ou Áurea, mas a brilhantíssima Geração de 1900, na qual indubitavelmente se sobressaiu o seminal GRUPO ACADÊMICO (Lucídio Freitas, Clodoaldo Freitas, Baurélio Mangabeira, etc). 
Não bastassem essas impropriedades todas , existem ainda os desleixos injustificados, muitas vezes estapafúrdios, entre os quais avulta a nominação errônea não de um escritor qualquer, mas do primeiro grande poeta do Piauí --- LEONARDO DA SENHORA DAS DORES CASTELLO-BRANCO, que ele mesmo ASSIM assina, mas insistentemente grafado, inclusive pela festejada professora-doutora-pesquisadora Teresinha Queirós, como Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco, um erro talvez cometido em primeiro lugar por João Pinheiro e depois reproduzido por quase todos os que opinaram sobre a obra do autor do magnífico poema “A Creação Universal” sem, provavelmente, a terem sequer lido, já que nem o nome artístico do Poeta escrevem com correção. Ademais, ainda que relacionados e mesmo que o primeiro às vezes possa ser ao segundo igualado, por demais diferentes são fato estético e fato histórico, mas na historiografia da LBAP não é raro se deparar, por exemplo, com afirmações que incluem como fatos estéticos a fundação da Academia Piauiense de Letras, sem dúvida um fato apenas histórico, e que atribuem a um suposto diário de guerra de Fidié, também certamente não lido, o condão de texto iniciador da LBAP. Assim, meus caros, não dá... 
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Fonte: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 25 mar 2007, p. 18. 

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: uma historiografia sem rigor

AIRTON SAMPAIO 

Mantive, durante mais ou menos três anos, inúmeras conversas de trabalho com o poeta Paulo Machado, interrompidas pelos sortilégios que se abateram sobre minha vida, as quais tinham como objetivo a elaboração de um livro didático, com título não definido, que trataria de uma periodização o mais possível rigorosa da Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP). Chegamos então, ao cotejar as diversas periodizações já propostas, à solar conclusão de que todas, sem sequer uma exceção, se caracterizam pela falta do rigor metodológico indispensável a uma pesquisa, o que não raro resultou em ultrassubjetivismos arbitrários, permeados por imprecisões decorrentes de desleixos injustificáveis. Com efeito, de João Pinheiro a Luís Romero Lima, passando por Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Adrião Neto, há, a despeito das inegáveis contribuições oferecidas, desde propostas esdrúxulas até categorias conceituais pessimamente laboradas de que, neste artigo, se darão alguns exemplos. 
É o caso do uso, inadequadamente feito, da categoria vanguarda. Ora, não devia ser novidade para ninguém que esse termo, que vem do francês avant-garde (“postar-se à frente”), não pode ser utilizado para abrigar sob o seu apertadíssimo guarda-chuva qualquer artista, por melhor que ele seja, apenas a talante do gosto do historiógrafo, como se dá com Herculano Morais, Francisco Miguel de Moura e Luís Romero Lima, que chegam ao absurdo de categorizar como vanguardistas autores que nem Fontes Ibiapina, escritor tradicionalíssimo, e José Magalhães da Costa, seguidor estético-temático de Fontes e que de vanguardista também não tem nada, autor que é de uma contística regionalista excessivamente presa a ditos e causos e assim a anos-luz de uma literatura de ruptura estética com a tradição conservadora, que é isso que é, em síntese, uma arte de vanguarda, uma ruptura estética radical com o passado. Aliás, na LBAP o único artista que pode ser chamado de vanguardista, com o devido rigor que a palavra requer, é Torquato Neto, que nas diversas linguagens que praticou (literatura, cinema, jornalismo, etc) o fez sempre de maneira ruptorial e numa perspectiva experimental de radical renovação, o que não se pode dizer nem do genial Mario Faustino que, mesmo aberto às experimentações alheias (vide sua página Poesia-Experiência, no SDJB, 1956-1958), como a dos concretos, aos quais destemidamente apoiou, jungido no entanto ficou, conscientemente, ao verso (o “último verse-maker”, nas palavras de Augusto de Campos) e em geral verso clássico, que expressa uma mundividência oriunda da tradição greco-romana. Assis Brasil? Afora os peculiares romances “Beira Rio, Beira Vida”, “Os Que bebem como os Cães” e “Deus, o Sol, Shakespeare”, que de fato se aproximam de uma atitude de vanguarda porque são, em certa medida, inovadores e ruptoriais, exceto essas três obras as demais de Assis Brasil não devem ser, com a necessária precisão teórica, apodadas de vanguardistas. 
Outro problema assaz presente na historiografia referente à LBAP é a confusão, fácil de ser desfeita mas insistentemente reiterada, que os historiógrafos piauienses difundem entre Geração literária e Grupo literário. Denominam, por exemplo, de Geração Meridiano e Geração Clip o que, na verdade, são Grupos literários: o GRUPO MERIDIANO, formado no âmago da Geração de 1945 (veja-se que o próprio Mario Faustino, que é da Geração de 1945, não integrou o GRUPO MERIDIANO, que contou com O G. Rego de Carvalho, H. Dobal, Vítor Gonçalves Neto, etc), e o GRUPO CLIP, constituído no interior da Geração de 1960 (veja-se que o próprio Torquato Neto, que é da Geração de 1960, muito longe esteve de integrar o GRUPO CLIP, que contou com Francisco Miguel de Moura, Herculano Morais, Hardi Filho, etc). Não há também, nesse sentido, na LBAP, uma Geração Acadêmica ou Áurea, mas a brilhantíssima Geração de 1900, na qual indubitavelmente se sobressaiu o seminal GRUPO ACADÊMICO (Lucídio Freitas, Clodoaldo Freitas, Baurélio Mangabeira, etc). 
Não bastassem essas impropriedades todas , existem ainda os desleixos injustificados, muitas vezes estapafúrdios, entre os quais avulta a nominação errônea não de um escritor qualquer, mas do primeiro grande poeta do Piauí --- LEONARDO DA SENHORA DAS DORES CASTELLO-BRANCO, que ele mesmo ASSIM assina, mas insistentemente grafado, inclusive pela festejada professora-doutora-pesquisadora Teresinha Queirós, como Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco, um erro talvez cometido em primeiro lugar por João Pinheiro e depois reproduzido por quase todos os que opinaram sobre a obra do autor do magnífico poema “A Creação Universal” sem, provavelmente, a terem sequer lido, já que nem o nome artístico do Poeta escrevem com correção. Ademais, ainda que relacionados e mesmo que o primeiro às vezes possa ser ao segundo igualado, por demais diferentes são fato estético e fato histórico, mas na historiografia da LBAP não é raro se deparar, por exemplo, com afirmações que incluem como fatos estéticos a fundação da Academia Piauiense de Letras, sem dúvida um fato apenas histórico, e que atribuem a um suposto diário de guerra de Fidié, também certamente não lido, o condão de texto iniciador da LBAP. Assim, meus caros, não dá... 
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Fonte: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 25 mar 2007, p. 18. 

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: a falta que uma crítica militante faz

AIRTON SAMPAIO 

Creio que um dos motivos do desconhecimento e dos muitos equívocos que grassam feito praga sobre a Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP) é a quase ausência, ao longo dos duzentos anos de sua história (a completar-se em 2008, quando se atingirá o bicentenário da edição de “Poemas”, de Ovídio Saraiva), de uma crítica literária militante. Sem essa necessária mediação entre o autor, a obra publicada e o leitor não-especializado, a LBAP fica travada, sem maiores questionamentos e sem abalizados e orientadores juízos de valor. 
No Piauí, a crítica literária sempre foi avulsa e aperiódica, incontumaz e não militante. Para piorar a situação, se emprenhou de compadrio, sendo raro o reconhecimento do valor estético da obra de um autor nos textos críticos de alguém a cuja confraria, igreja ou panela o coitado não pertença, o que se dá, infelizmente, até nas formulações do melhor crítico que hoje o Piauí possui, o ensaísta Ranieri Ribas, apesar da sua linguagem empolada e impenetrável. Ademais, sublinhe-se que qualquer crítica, mesmo fundamentada e exclusivamente dirigida à obra, mas que saliente elementos negativos, provoca no criticado uma reação costumeiramente irada, habitus que afasta da militância desse gênero de prosa até os mais preparados para exercê-lo. 
Ponha-se também esse débito de uma crítica literária teoricamente capacitada no passivo do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, cujo cinqüentenário de instalação no Estado ocorrerá no próximo ano. Ora, chega a estarrecer, ressalvadas as exceções de praxe, que professores de literatura brasileira desse Curso tenham feito e façam dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre autores não-piauienses, muitos com fortunas críticas já avantajadas, num franco descompromisso com a realidade local, a que a Universidade deveria estar umbilicalmente ligada. 
Não se trata de obrigar a quem quer que seja a escrever sobre fatos literários locais, mas é lamentável a inexistência, em Letras da Ufpi, de uma DIRETRIZ BÁSICA de pesquisa que INCENTIVE à OPÇÃO POLÍTICA pela realização de estudos que enfrentem os problemas da realidade piauiense. Do jeito que é, a depender unicamente da vontade pessoal, pode-se dissertar até sobre a cor branca na obra de um, digamos, simbolista catarinense, olvidando-se, talvez por ignorância, a poética de um Jonas da Silva. Frise-se, também com exceções de praxe à parte, que o Mestrado Acadêmico em Letras do CCHL da UFPI parece seguir pela mesma trilha, embora, a exemplo da Uespi, com menos desvios temáticos. 
Um mineiro dedicará tempo e dinheiro público ao estudo de um autor piauiense? Aqui, porém, nos damos o LUXO de gastar dinheiro público e tempo com autores mineiros. Um gaúcho, então, o fará? Ou um carioca? É claro, pelo menos em regra, que não. Enquanto isso estão aí, à espera de abordagens medianamente categorizadas, poetas como Paulo Machado, cronistas como Cineas Santos, contistas como Carlos Castelo Branco, romancistas como Esdras do Nascimento, dramaturgos como Gomes Campos. Com todo esse MANANCIAL, o que justifica dispender energias com o estudo, por exemplo, de um escritor paranaense? Não se trata, como decerto entenderão os contumazes provocadores de equívocos, de miopia analítica ou mero bairrismo, mas da VINCULAÇÃO NECESSÁRIA da Universidade Federal do PIAUÍ à realidade em que está inserida. 
É óbvio que, no dia em que nossos escritores mais significativos estiverem com FORTUNAS CRÍTICAS MINIMAMENTE ASSENTADAS (no caso do nosso magnífico Poeta Ecumênico, contribui agora para isso o recém-editado e excelente ensaio do professor João Kennedy Eugênio, Os Sinais do Tempos: intertextualidade e crítica da civilização em H. Dobal), nesse dia então é claro que podemos serenamente nos dar o luxo de empenhar energia, tempo e dinheiro público no estudo de autores, nem sempre relevantes, de além-Piauí, como por exemplo o antivanguardista atávico Affonso Romano de Sant´Anna, que não alcança, marketing à parte, o valor estético de um cronista e poeta como o oeirense Rogério Newton (a propósito, leiam, de Rogério Newton, “Ruínas da Memória“, 1994, “Pescadores da Tribo”, 2001, “Último Hound”, 2003, e “Conversa Escrita n´Água”, 2006). 
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fONTE: Diário do Povo do Piauí, caderno Galeria, seção Cultura. Teresina, 29 maio 2007, p. 18. 

domingo, 18 de novembro de 2012

PÔR DO SOL

Aquele que ali vem não é Jomar, apesar do andar estabanado do Jomar. Esse, que aí vai, é quase um clone do Rudá e seus passos miúdos e ligeiros. Esta que logo se torna uma estranha bem que podia ser Sara, amor da minha longa vida jamais realizado num único beijo sequer, mas não é a Sara, a mais bela das desdenhosas do nosso tempo. Por que o tal médico dela o escolhido? Ainda hoje desatino a razão da extremada sorte dele, que o cu voltado pra lua nunca tive. De longe, se apurar bem a velha vista, vejo Homero, apressado rumo ao jornal onde diariamente não dava trégua aos corruptos, mesmo sempre derrotado. E aquela acolá...

Bem, uma vez por semana me trazem do abrigo de anciãos até aqui e ali, num banco da igreja do Amparo a custo me ajoelham, e rezo. Ele, porém, a súplica há muito não me atende e vou ficando aqui quando todos os que amo e odeio já lá, aquietados, no outro lado do mistério, estão. Que pecado tão capital cometi nessa quase centúria? Não, minhas faltas não têm esse valor, que nunca passaram elas de erros que só a mim prejudicaram, como quando joguei tudo pro ar para correr atrás de um rabo de saia que logo se esvaiu, coisas de que essas doenças que me torturam já são juros mais que suficientes acrescidos ao pagamento que, por uns trinta anos, já efetuo. Então, por que não me atende Ele o pedido? Por que não me pode a Noite sobre mim, enfim, descer? Até meus desaparecidos inimigos, uns dois ou três mais empedernidos, até eles decerto concordariam que fazer cem anos é sacrifício que, como dizem no tempo de agora, ninguém merece...       

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CENSURA NÃO!!!


É fato que um povo que não conhece sua história está condenado a repetir as aberrações que nela já aconteceram. Hoje, Dia do Piauí, publicam e tocam intensa e ufanisticamente o Hino do estado. Mas NINGUÉM informa um Crime Gravíssimo: a letra do Hino, do poeta Da Costa e Silva, teve toda uma estrofe, a que era a terceira, CENSURADA E SUPRIMIDA por ser "panteísta" e, portanto, não católica!!! Vejam a estrofe, que devia ser reposta na letra: "Prolifica no pasto o rebanho / Arde o fogo sagrado do lar / Brota o pão nas labutas do amanho / Por milagre de um Deus tutelar". (Fonte: SOUZA, Paulo Gutemberg de. História e identidade: as narrativas da piauiensidade. Teresina: EDUFPI, 2010). Aguenta, Terra Querida!!!
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  • Airton Sampaio de Araújo Como se não bastasse, "refazedores" da história têm tido, de seus gabinetes refrigerados, a tétrica ideia de CENSURAR MAIS UMA VEZ O POETA, suprimindo do Hino a atual terceira, sempre a terceira!!!, estrofe, que começa com "Desbravando os campos distantes..." Dizem que aí o poeta faz apologia dos crimes dos bandeirantes, descontextualizando-se, burramente, o momento histórico em que viveu Da Costa e Silva. É o mesmo que os PeTralhas estão querendo fazer com Monteiro Lobato. NÃO!!! CENSURA NUNCA MAIS!!!

    Não é à toa que ATUALMENTE um canal de televisão se acha PROIBIDO de mencionar um senador da República, integrante da oligarquia que infelicita este estado há séculos. A história, aqui na Fazenda Piauí, apenas continua... NÃO!!! CENSURA NUNCA MAIS!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ATO FALHO


Sozinho, demais, no apê. Trancou a porta da cozinha. Fechou o basculante. Pôs algodões nas frestas. Ligou o gás. Deitou, de bruços, no chão. Surpreendeu-se numa cama de hospital. Doutor, quem teria sido o merda que...

Fonte: Blog da Confraria Tarântula

domingo, 19 de agosto de 2012

NÃO CORTA! PONTO.

Mário Ângelo de Meneses Sousa
Presidente da ADUFPI-SSIND

Nos últimos dias o reitor da Universidade Federal do Piauí, Luiz de Sousa Santos Júnior, vem se utilizando de uma intensa exposição na mídia para a obtenção de um objetivo nada louvável: intimidar docentes e técnicos da UFPI através da ameaça do corte de ponto. Com isso, procura a todo custo pôr fim à greve das duas categorias.
Sob o comando do reitor, pró-reitores disparam memorandos a diretores de unidades e de campi com a determinação de que as ausências sejam apuradas para, segundo eles, serem efetivados os descontos. O candidato do reitor à sua sucessão, Arimateia Lopes, silencia coniventemente enquanto os seus principais apoiadores enfatizam a ordem do reitor: “ou volta ou mando cortar o ponto!”
De fato, existe uma íntima articulação entre o esforço do reitor para pôr fim à greve e os interesses do candidato Arimateia Lopes: ao criar inúmeros casuísmos com o objetivo de garantir sem riscos a eleição do seu protegido o reitor acabou atrasando perigosamente o processo, chegando agora a uma situação de desespero que o leva a querer fazer a eleição a qualquer custo, mesmo descumprindo ordem judicial.
A ameaça do corte de ponto, portanto, não diz respeito a uma eventual preocupação do reitor com o funcionamento da universidade. A preocupação é outra: ele sabe que à luz do decreto 1916/96 só tem até o próximo dia 13 de setembro para o envio da lista tríplice ao MEC. De outro modo, fatalmente será nomeado, ao final do seu mandato, um reitor pró-têmpore, jogando por terra o sonho de Luiz Júnior de utilizar a máquina universitária em favor do seu candidato. Beneficiário da pretensa intimidação do reitor, o senhor Arimateia Lopes não apenas silencia diante da intimidação, mas a estimula.
Entretanto, o reitor Luiz Júnior não tem condições políticas, morais e jurídicas de cortar o ponto dos professores e servidores. A ANDIFES, entidade que congrega os reitores das universidades e institutos federais, já orientou os reitores a não fazerem o corte, enquanto o MEC, através do próprio Ministro Aloísio Mercadante, anunciou que o corte de ponto seria um grande equívoco, na medida em que comprometeria a reposição das aulas. Ao tentar intimidar a comunidade universitária, colocando-se na contramão da ANDIFES e do próprio MEC, Luiz Júnior se arrisca a impor-se uma nova derrota: ser desmoralizado diante até mesmo de seus pares por não poder cumprir a ameaça de cortar o ponto.
ADUFPI, assim como as sessões do ANDES em todo o Brasil, seguirá conduzindo a greve com responsabilidade e respeito. A nossa expectativa é de que o governo atenda à urgente necessidade de reestruturar a carreira docente e atender as reivindicações das melhorias das condições de trabalho dos professores (as) para que possamos todos (as) retomar as salas de aula. Mas o final da greve não se dará pela intimidação de quem quer que seja. Apenas às assembleias docentes é dado o poder de dizer quando e como ela deve acabar.
Quanto ao corte de ponto que o reitor da UFPI anuncia, não passa de uma bravata: além de não dispor de condições políticas e morais para fazê-lo ele igualmente não fará pelo simples fato de que o desconto de salário dos servidores que aderirem á greve não está previsto em lei, de modo que qualquer ato da administração da UFPI não existe amparo no ordenamento jurídico. Portanto, conclusivamente podemos dizer: Não corta! Ponto.

Fonte: http://www.adufpi.org.br/noticias/nao-corta-ponto

domingo, 12 de agosto de 2012

ARAGUAIA

Num dia branco, dia comum de faxina, Vítor deparou, sem querer, a mensagem de Telma. O autor do texto datilografado, com as letras G e R sempre maiúsculas, era Conrado, mas vinha, ele sabia, da irmã de Maria Lúcia. Calou-se. Percebia, porém, a mulher cada vez mais angustiada. Não devia soltar-se dela?  Tinha o direito de, para não perdê-la, prendê-la?

O temido bilhete, certo dia, na porta do quarto. Fitou-o, lágrimas caindo. Então foi ver Araguaia, travessa e linda, no berço.
— Filha, requeri e enfim recebi do governo uma indenização, após o reconhecimento oficial de sua mãe como desaparecida política. Este cheque lhe pertence.
— Pai, entregue isso à Anistia Internacional.


Por um instante, Vítor vislumbrou Maria Lúcia. As mesmas feições. Os mesmo gestos. Os mesmos atos. Abraçaram-se, Araguaia no seu colo, que nem nos árduos e brejeiros tempos de menina.


Pouco depois, caminhando pelas margens do Poti, ladeado por shoppings e espigões, ela parou e fixou-se no próprio nome. Araguaia. Araguaia. Araguaia. Mirou o rio de sua aldeia, belo porque o rio de sua aldeia. Pensou no pai. Pensou na mãe. Sim, o amor existia!


— Moça... 
Assustou-se. 
— Uma esmola, por Deus...

Deu um dinheiro ao mendigo e pôs-se a refletir, à visão daquele ser esfarrapado, que as injustiças permaneciam intactas. Mas ela se chamava Araguaia. E seu nome, como lhe dizia o pai, seu nome, filha, seu nome é uma pintura rupestre gravada na carne e no sangue da truculenta história deste país.


Fonte: Confraria Tarântula, a teia do conto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AINDA HÁ (POUCOS) HOMENS NO PAÍS!


O PT como Patrão 

“Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve
Informo que, seguindo orientação superior do MP, os grevistas deverão ter os pontos cortados, desta forma não deverá constar nenhuma observação na folha de ponta dos servidores que estão de greve e não registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão de greve e mesmo assim registraram o ponto deverão  ter seus pontos cortados (anulados) já que não trabalharam.  Quanto aos servidores que estão trabalhando normalmente e que não puderam trabalhar no dia 5 de julho por causa da greve dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.” 

Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do  departamento de sistemas de informação da secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do planejamento, orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde setembro de 2011. Hoje comunico, publicamente, meu  pedido de exoneração. 

Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à Informação. Preciso deste salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a partir do momento em que tenho que ferir meus princípios para manter minha remuneração, meus princípios sempre ganharão o jogo, independente do que virá depois.  Trabalho, há bastante tempo, com o conhecimento livre e modelos de negócios baseados nisso. Em Porto Alegre, no final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de governo crescer levando em conta a crença em que a  liberdade ampla para todas as formas de conhecimento era um fator gerador de inovação tecnológica e de criação de emprego e renda. Apoiei esse projeto, mas nunca integrei nenhum quadro do governo até setembro de 2011, quando assumi o cargo acima mencionado, e passei a ser o responsável pelo Portal do Software Público Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de Dados Abertos, além de outras atividades. 

Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze anos como empresário aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um emprego público. Aliás, esse é um aprendizado constante. Mas segui trabalhando com minha paixão: liberdade de conhecimento como geração de inovação e riqueza. No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do funcionalismo federal, à qual aderiram muitos dos que estavam sob minha coordenação. 

Enfrentar uma greve como executivo público foi algo totalmente inédito para mim. Acompanhei greves desde o tempo de meu avô, no surgimento do PT. Toda a articulação para as greves, para a criação de uma força que mudasse o estado, conscientizou uma população que colocou o PT no poder. Mas o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua. 

O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não depende mais da máquina que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela nação, tem a certeza de que vai muito bem sozinho. E está indo mesmo! 

Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para mudá-lo e não para cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário. E, na greve, cultivaram ainda mais sua união na crença da construção de um Brasil melhor.

(CÉSAR AUGUSTO BROD, responsável pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão).


(Grifos não-originais.)

sábado, 4 de agosto de 2012

QUAL O VERDADEIRO NOME DISSO?


UFPI entregará título de Doutor Honoris Causa a Sarah Menezes

03/08/2012 14:57
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (3), aprovou por unanimidade a proposta do presidente do conselho, Reitor Luiz de Sousa Santos Júnior, para concessão do título de Doutor Honoris Causa a Sarah Menezes. A proposta do Reitor foi motivada pelas valiosas contribuições da atleta ao esporte não apenas no âmbito piauiense, mas nacional e mundial e, ainda, mais recentemente, pela brilhante atuação da judoca nas Olimpíadas de Londres, ao conquistar a medalha de ouro na categoria ligeiro (até 48 quilos).
Nos últimos anos, Sarah Menezes ministrou palestras participando de eventos realizados pela UFPI.
Fonte: sítio da ufpi 

terça-feira, 31 de julho de 2012

É MESMO, DILMENTIRA?


E o outro Urubu circulando, circulando, circulando... Haja Hipocria!!!!

domingo, 22 de julho de 2012

BRUTA FLOR

Senhor Juiz de Direito da outrora bucólica Bodas do Sertão,


este agora largado homem, na pia batismal PEDRO nominado, desde os idos de Juno de 2011 sem PÉTALA DE OLIVEIRA, brasileiríssima, bordadeira de mão cheia, vivente hoje em lugar incerto e não sabido, vem dizer-lhe, dolorosamente, DOS FATOS:

1. O primeiro amor passou.    O segundo amor passou.    O terceiro amor passou.    Como os corações continuavam, casamos no Dia de Santo Antônio, 1996 anos após a Grande Epifania. Ela estava linda no decotado vestido branco de cauda longa e, exultantes dentro daquela noite banhada por insistente chuva fina e aromada com inesquecível cheiro de terra molhada, achávamos que seríamos (quanta arrogância!) felizes para sempre...

2. Não tivemos filhos; não transmitimos a nenhuma criatura o legado  de nossa miséria.   


3. Também nunca nos ardeu o desespero de ser dono de nada. 
   
4O motivo desse vazio, pleno da presença de uma ausência, a razão mesma disso a que os líricos chamam   de Saudade? Não há motivo, nem razão. O amor acaba, seu Juiz!   


5. E, pensando bem, se acabou, não era amor...   


6. Ainda assim, não é porque SEI que ela não voltará que não hei de lhe deixar a porta, eternamente, aberta. 


__________________
PEDRO UMBRA
FEITOR DE FACAS
Rua da Soledade, 11
Cristal Quebrado - PI   
__________________      


DO DIREITO E DOS PEDIDOS:

Em face do exposto, nos FATOS, pelo constituinte, 

LUÍS SOTERO, causídico (OAB 1635) infra-assinado que representa legalmente o já supraqualificado artesão, consoante mandato anexo, vem, respeitosamente, a V. Exa, com fulcro no CCB, em especial nos arts..., PEDIR, por ser justo e de direito, que... 


Fonte: confrariatarantula.blogspot.com.br

domingo, 1 de julho de 2012

GARÇOM!

Eu, se o autor do conto, retiraria do título essa locução adjetiva.
— O Quarto Quarto da Casa... O Quarto Quarto. Gostei!
Cortaria também a terceira página.
— Toda?
É. Esse namoro aí é imbecil.
— Um pouco piegas, talvez...
Não. Imbecil, mesmo.
— Porque o cara é do tipo que ainda manda flores?
Detesto flores.
— Eu sei. Mas ele, não.
Corte esse namoro.
— Já mudei o título...
Suprima o namoro.
— Aí a mensagem de perdão, que quero passar, some...
Literatura não tem que ter mensagem.
— Mas sempre há mensagem...
Pois o leitor que a ache, com lupa.
— E pensar que você já foi um escritor engajado...
Erro de extrema juventude, meu amor, isso.
— Não sou mais tão jovem, eu, é certo.
Você é linda!
— Olhe, se eu encerrar aqui, perco o desfecho.
Fecha no clímax...
— O leitor não gosta assim, eu acho.
E a vida?
— Que é que tem a vida?
A vida por acaso é do jeito que gostamos?
— Estou falando de literatura.
Ah, tá...
— Certo. Namoro eliminado. E agora?
Agora é podar a segunda página.
— Inteira?
É. Conto não é oceano que se derrama, mas dique que o contém.
— Viva! Você gostou da minha frase de abertura!
Conto com duas páginas já é oceano que se derrama...
— Se eu fizer assim, não destruo o clímax?
Para criar, destruir é preciso.
— Mamalujo bateu a porta atrás de si.
Ponto final.
­— E o leitor?
O leitor que preencha as lacunas, ora.
— Não pode ser assim...
Deve. Ou você escreve para vender sabonete?
— Lá vem me acusar de publicitária...
E não é?
— Tá bom. Fora, clímax!
Agora, inscreva o conto.
— Tenho chance?
Não, mas tem um conto.
— Quero ganhar!
Então mantenha o título original, reponha o namoro imbecil, preserve o clímax e deixe aí, intocado, o tal desfecho.
— Acha que ganho?
Com esse texto de primeira mijada, sim.
— Você os subestima...
Eles merecem. Vamos beber?
— Vamos.

domingo, 24 de junho de 2012

O GARGALO CULTURAL NOSSO DE CADA DIA

Airton Sampaio*

Houve uma época, antes da década de 70, em que certamente o mais difícil na produção de um livro fosse, mais que a sua própria criação intelectual, a sua editoração: não houvesse uma editora que lhe abrisse as portas, o autor permaneceria inédito. A minha Geração, a Geração de 1970, encaminhou uma solução para o problema, uma estrada alternativa, é verdade, mas libertadora: em primeiro lugar, desaprisionou a literatura do livro, levando-a para camisetas, bonés, adesivos, cartazes, folhetos avulsos, caixa de fósforos, lenços, marcadores de páginas, pontos de ônibus, paredes de ruas e banheiros, etc; em segundo, mesmo quando se manteve livresca, produziu o livro artesanalmente, em geral por meio de fotocópias ou, principalmente, pela via do velho e bom mimeógrafo (que um arquiconservador da Geração de 45 no Piauí chamou de “maquininha infernal que devia ser proibida”). Resultado? Os editores perderam muito da sua arrogância e divindade.

Hoje, porém, a editoração, embora continue difícil, não é mais um bicho de sete cabeças. Essa tecnologia extraordinária que é a Internet permite que, em segundos, um livro esteja disponibilizado à leitura do mundo. Mais um golpe certeiro nos antes endeusados, inacessíveis e arrogantes editores, e outro largo passo para a ampliação das liberdades de expressão e autonomia autoral. No entanto, um NÓ GÓRDIO, que decerto já existia, agora assume o centro da problemática: a divulgação, circulação e visibilidade do produto cultural. Aqui, sim, o bicho pega.

Sabe-se que numa sociedade feita (graças a Deus!) de relações humanas cada vez mais impessoais, o que funciona como um antídoto ao clientelismo coronelístico, pouca eficácia tem a divulgação boca a boca, tão própria das províncias, paróquias e povoados. Mas, para alcançar um grande público (uma categoria sociológica), convencê-lo a adquirir um produto cultural (no caso, o livro) e persuadi-lo a ler (um dos direitos do leitor é não ler o que não quer ler), requer-se uma ESTRATÉGIA DE PROPAGANDA E MARKETING que, não é segredo, custa MUITO caro (diz-se que, em Hollywood, 70% dos investimentos num filme se fazem na divulgação maciça que se lhe imprime). Sem isso, pouco se obtém como retorno.

Certa feita, num evento na Ufpi, um editor acostumado a publicar os outros valendo-se sempre das tetas públicas, dirigiu-se a mim acusando que meu livro tinha sido muito pouco vendido, embora com preço de apenas R$ 2,00. Ora, qual a surpresa? Com uma divulgação restrita a uma ou outra matéria de jornal, a uma ou outra notinha em coluna social, a uma ou outra entrevista em rádio ou TV, como vender bem? Houvesse outdoors espalhados pelas ruas, merchandising em horários nobres da televisão, banners saltando na cara do internauta a um clique no computador, entre outros recursos publicitários, e apesar disso pouco vendesse, então, só assim a acusação teria sentido. Fora disso, só mesmo a arrogância de quem, atirando com dinheiro público, se acha o suprassumo da humanidade...

E as livrarias? Nelas há que funcionar sobremaneira o marketing, pois um livro posto na vitrine vende mais que um lançado sobre uma gôndola giratória, que vende mais que um lançado sobre um balcão, que vende mais que um escondidinho numa estante, que... Dia desses, fui ver a situação de um livro meu numa dada livraria, e o produto (sim, o livro é um produto!) foi tão difícil de a empregada mesma da loja localizar que se torna impensável que um leitor, em geral apressado e bombardeado por anúncios os mais diversos, possa fazê-lo... Amadorismo à parte, e no Piauí SOMOS TODOS AMADORES, esse é o GARGALO CENTRAL a ser enfrentado: a divulgação, distribuição e visibilidade dos produtos culturais! Se não se encaminhar uma solução mínima para isso, o autor piauiense continuará até conhecido, mas pouco lido. Uma ou outra exceção que sói acontecer apenas confirma a regra.
_________________________________________
*Airton Sampaio é escritor e professor na Ufpi.
Artigo publicado no jornal Diário do Povo do Piauí, Teresina, 21 jun 2012, Cultura, p. 18.                   

terça-feira, 19 de junho de 2012

HAJA PROVINCIANISMO!

Quando esta Fazenda Piauí vai virar de fato um Estado que não se desestima como um Zero à esquerda na Federação? Coisa ridícula... Por Júpiter!

ALGUMA SURPRESA?

Elle, o Fantoche e elle! Cadê a Interpol?

sábado, 16 de junho de 2012

MICROCONTO, UMA DEFINIÇÃO!

Airton Sampaio, contista:

MICROCONTO É A NARRATIVA ESCRITA COM, NO MÁXIMO, 140 CARACTERES.

domingo, 10 de junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

HAJA CORAGEM!


Juiz deixa toga e salário de R$ 24 mil para sair em busca da profissão ideal

De Barra do Garças - Ronaldo Couto

Um fato inusitado aconteceu em Aragarças-GO, divisa com Barra do Garças: um juiz de 30 anos de idade que está há um ano no judiciário pediu exoneração e informou que está à procura da profissão ideal. Raul Batista Leite, que assumiu em outubro a comarca aragarcense, surpreendeu a todos ao anunciar no início do mês a sua decisão de abandonar a magistratura. 


Com salário de R$ 24 mil, Raul dá adeus a uma profissão cobiçada por muitas pessoas e comentou com alguns amigos que não se identificou com a função de juiz. Por telefone, o ex-juiz, que se formou em Goiânia-GO, disse ao Olhar Direto que vai continuar participando de concursos públicos à procura de outra carreira. 




E participar de concursos públicos realmente é o forte de Raul. Antes de ser juiz, ele passou no concurso público para promotor e policial federal. “Eu vou continuar participando de concursos”, salientou Raul, citando que gostaria de ser professor universitário. Perguntado sobre a questão financeira, porque um professor no nível máximo (com doutorado) ganha R$ 10 mil, bem abaixo do que ele ganhava, o ex-juiz disse que dinheiro não é tudo e que a pessoa precisa se sentir bem na função. 


O salário de um magistrado em Goiás gira em torno de R$ 18 mil, mais adicional pelo Eleitoral, totalizando R$ 25 mil por mês. Com o pedido de exoneração de Raul, a comarca aragarcense está sendo dirigida provisoriamente por Flávia Morais Nogato de Araújo Almeida, titular de Piranhas.  Aguarda-se a nomeação de outro magistrado para Aragarças por parte do Tribunal de Justiça de Goiás.

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=256721

segunda-feira, 4 de junho de 2012

FLAGRANTES DO LANÇAMENTO DE "DEI PRA MAL DIZER: CONTOS ERÓTICOS", de JL Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho, na Adufpi, em 01 jun 2012, noite.


M. de Moura Filho, Airton Sampaio,  JL Rocha do Nascimento,os contistas, e
                                          Rosália Mourão, a prefaciadora.
                                       
                                                 
Adufpi, em Noite bela, com Salão lotado.

sábado, 2 de junho de 2012

BASTA, CORONEL CINEAS SANTOS! CHEGA DE GROSSURA!!


Na noite de ontem, 01 de junho de 2012, J.L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho lançamos na Adufpi, para um espetacular público de cerca de 250 pessoas, o livro Dei Pra Mal Dizer: Contos Eróticos, que a partir de terça-feira estará à venda nas livrarias e bancas da cidade. Todos sabem que a feitura de qualquer produto cultural no Piauí, onde ainda quase nada foi feito, é plena de problemas, atropelos, marchas e contramarchas, prazeres e dores. Conosco não foi diferente neste livro, embora, apesar de tudo, tenhamos sido sempre MUITO BEM TRATADOS onde estivemos. O azar foi deparar, na manhã de ontem, na recepção da TV Cidade Verde, com o coronel da cultura da Fazenda Piauí que atende pelo nome de Cineas Santos.
         Para o lançamento do nosso livro, NÃO HOUVE CONVIDADOS ESPECIAIS. Todos os possíveis leitores, sem distinção, eram e são para nós bem-vindos, ao contrário do que faz o coronel da cultura, que primeiro escolhe como convidados especiais, sabe-se lá por que, as autoridades oficiais, e depois a sua panelinha e os seus áulicos (se quiserem comprovar, é só ir ao Salipi). Ora, ao ver Cineas Santos, fiz o que todos os três autores estávamos fazendo ao coincidir com alguém que imaginávamos apreciar literatura: entreguei-lhe um convite para o lançamento. Por esse gesto, já algumas vezes repetido naquela manhã, vi-me, em público e em plena sala de recepção de uma tv, DESTRATADO com a GROSSERIA mais ordinária, com a DESEDUCAÇÃO mais reles, como a INCIVILIDADE mais rasteira, próprias mesmo de um coronel que se julga o centro da cultura piauiense, embora demagogicamente publicize o contrário, e que se acha o suprassumo da inteleetualidade da província, apesar de em verdade não passar de um armorialista decadente. Ao meu convite, feito sem nenhuma intenção de agredir, ouvi do senhor Cineas Santos, carregado com o tom de mau-humor que sempre o acompanha, que “esse  filho da puta vem me convidar em cima da hora, esse filho da puta, que eu já editei, vem me dar um convite só no dia do evento!!!”
         Em primeiro lugar, não poderíamos conferir ao senhor coronel da cultura, porque não o fizemos com ninguém, nenhum convite especial, menos ainda com mil dias de antecedência; em segundo, FILHO DA PUTA É ELE, O CORONEL; em terceiro, NUNCA PEDI que o coronel me editasse em lugar nenhum, daí ser despropositada, pelo menos em relação a mim, a cobrança de uma fidelidade clientelista a que está ele, como coronel, acostumado. Ato contínuo, adentrei o estúdio da TV abalado e nem sei como consegui dar uma entrevista, que me pareceu até razoável, dadas as circunstâncias. Como homem que sou e como um intelectual que não precisa do beneplácito de ninguém para existir, liguei para o coronel da cultura e o desconvidei do convite que a ele tanto aborreceu. Fiz isso com a devida aspereza, que é a linguagem que o coronel da cultura entende porque é dela detentor do título de PhD. PhD em falta de educação!!! “Ah”, dirão os áulicos, “ele é assim mesmo, mas no fundo, lá no fundo, tem muita doçura”. Assim mesmo é uma ova!!!
          Se, como dizem, talvez só para incrementar o marketing pessoal dele, diariamente exercido, até cuide bem de plantas, seria MUITO interessante que expandisse aos humanos o tratamento que falam que dispensa aos vegetais. Ou isso é impossível? Se há muitos que aceitam passivamente os coices do coronel da cultura, eu não os admito. Que fiz eu de mal ao senhor Cineas Santos na recepção da TV Cidade Verde? Entregar um convite para o lançamento de um livro é uma ofensa? Tivesse aprendido o coronel um mínimo de urbanidade, poderia descartar o convite recebido na primeira lixeira que encontrasse, e não partir a pontapés amargurados sobre quem não o vê, mesmo, como especial. Reconheço a importância do senhor Cineas Santos no cenário cultural piauiense, até porque em terra de cego quem tem um olho é rei, no entanto nunca lhe vi, nem lhe vejo, nem lhe verei, como um ser especial, como o rei da cocada preta da intelectualidade provinciana.
        Eu sei, por vivência própria, como é difícil mudar... Não é difícil, porém, entender que as pessoas, PELO MENOS EU, não estão dispostas a aguentar DESAFOROS GRATUITOS em nome de “uma doçura que existe, sim, lá no fundo da alma” de quem quer que seja. Paciência!!! Seria bom para todo mundo se o senhor dono da cultura piauiense TENTASSE trocar os seus cascos de cavalo por um par de pés minimamente humanos...

___________________________________
P.s. Friso que para mim esse assunto desagradabilíssimo está encerrado, mas, se preciso, retrucarei à altura, que NÃO tenho MEDO NENHUM do coronel, nem dos áulicos do coronel.                             

segunda-feira, 28 de maio de 2012

MACHADO DE ASSIS E O MAIS CÉLEBRE ERRO TIPOGRÁFICO DA LITERATURA BRASILEIRA

(...)


Qualquer bibliófilo sabe que a primeira edição de uma obra é sempre mais valiosa que as outras, apesar de muitas vezes ter sido impressa em papel de pior qualidade ou da má qualidade de sua impressão. O seu valor acaba por ser alto justamente porque são raros e poucos a possuem.

Mas há casos em que uma primeira edição se torna mais valorizada devido a um erro tipográfico que escapou à revisão do editor ou do autor e foi parar às livrarias. Corrigido o erro nas edições subsequentes, estes exemplares conquistam então o status de raridade bibliográfica. Este é o caso da primeira edição das Poesias Completas de Machado de Assis, publicado em 1901 pela Livraria Garnier.



Machado de Assis – Poesias completas. 1ª edição. Rio de Janeiro: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1901. VI, 376 p., 24 p. Frontispício de Machado de Assis. Possui notas, índice e catálogo da Garnier.

Ao organizar este volume das suas Poesias Completas, Machado de Assis reuniu os livros Crisálidas (1864), Falenas (1870) e Americanas (1875), expurgando-os de algumas poesias e acrescentando um novo conjunto, intitulado Ocidentais.

No começo do século XIX quase todos os livros desta editora eram impressos na França, mas, apesar da revisão cuidadosa que era feita nas suas publicações, às vezes escapavam alguns erros. E foi justamente nesta obra, do mais importante autor brasileiro, que escapou um erro gravíssimo: Machado escrevera à página 20, no prefácio, “… cegara o juízo …”e o tipógrafo francês trocou o e por um a!


Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro tipográfico)


O erro só foi percebido depois que a edição já estava na livraria e alguns exemplares tinham sido vendidos. Para corrigir o erro, um empregado da livraria (Everardo Lemos) sugeriu raspar com cuidado a letra a e escrever a letra e com tinta nanquim.

Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro corrigido à mão)

Depois o editor Garnier providenciou a reimpressão da folha onde aparecia o erro, para substituí-la em todos os exemplares que ainda não tinham sido vendidos…

Machado de Assis – Poesias Completas
(com erro corrigido tipograficamente)


Por causa disso existem três tipos de exemplares da primeira edição das Poesias Completas de Machado de Assis: o primeiro sem a correção (raríssimo), com a palavra cagara, o segundo com a correção feita a mão e o terceiro com a folha impressa sem o erro.

O felizardo que possuir na sua biblioteca um exemplar sem a correção tem em mãos uma obra cobiçada por qualquer bibliófilo digno deste nome.

São estes pequenos – ou melhores grandes pormenores – que fazem a beleza da pesquisa e cobiça bibliófila.


Saudações bibliófilas,
[José Mindin].

Fontes:
Rubens Borba de Moraes – O Bibliófilo Aprendiz, Cia Editora Nacional, 2ª Ed., (1975)

Veja texto completo, com título original, em http://tertuliabibliofila.blogspot.com.br/2010/10/poesias-completas-de-machado-de-assis.html

segunda-feira, 7 de maio de 2012

!LANÇAMENTO NA ADUFPI, EM 01/06, 2Oh!! COMPAREÇA!!!


DEI PRA MAL DIZER: CONTOS ERÓTICOS, de J. L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho, com ilustrações de Antônio Amaral.

domingo, 25 de março de 2012

LAÇOS DE SANGUE

Maria da Fé, CID10F31 > Maria da Fé Filha, CID10F31 > Maria da Fé Neta, CID10F31, não teve filhos ela, linda qual uma utopia, ela, a mais bela das desdenhosas, ela, capricorniana da gema, não transmitiu ela, resoluta, a nenhuma criatura o legado da nossa miséria...

domingo, 18 de março de 2012

TORRES DE PAPEL

Foto: www.portalaz.com.br/arimateia

quinta-feira, 8 de março de 2012

A IGNORÂNCIA É AUDACIOSA E A CENSURA É LASTIMÁVEL


seNTIDO DA PALAVRA


Censura ao dicionário e a liberdade de expressão


A informação é oficial, oriunda da página da Procuradoria da República de Minas Gerais na internet: o Ministério Público Federal em Uberlândia ajuizou ação civil pública para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, o qual conteria expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos. O Ministério Público Federal acusa o dicionário da prática de crime de racismo (artigo 20 da Lei 7.716/89).
O episódio revela aquele que parece ser o maior paradoxo do livre exercício do poder: ele pode degradar a si mesmo, levando consigo parcela da democracia e dos direitos que lhe são inerentes. O despropósito da acusação se evidencia com um argumento singelo, considerada a seriedade da obra questionada: a manifesta ausência de qualquer intenção racista. O risco do precedente, entretanto, nos convoca a uma reflexão.
Ninguém está obrigado a colocar-se de acordo com o conteúdo de uma obra da envergadura de um dicionário. Menos ainda a concordar com a totalidade dos sentidos atribuídos às milhares de expressões que procura definir. Entretanto, é preciso que estejamos vigilantes em face de todo o tipo de boas ideias que se queiram fazer impor de cima para baixo, como uma razão de Estado.
Conceitos não são unívocos, nem irrebatíveis, conforme indicam exemplos retirados da mesma e questionada fonte. A uma prostituta não seria propriamente agradável ver sua atividade definida como um desonra ou rebaixamento moral (Dicionário Houaiss, 2001, p. 2316); a um ateu não se aplicaria irrestritamente a pecha de desrespeitoso com as crenças religiosas (p. 334), bem como a um cristão não se deveria genericamente qualificar como pessoa “de aceitação insuportável” (p. 874). Um hipócrita não é permanentemente “fingido, falso, dissimulado” (p. 1538). Soa igualmente estranho que um escravo possa ser definido como um “amante extremamente dedicado” (p. 532), assim como nem todo crítico é “maledicente” ou “perigoso” (p. 875). Aliás, nem todo burocrata “exorbita de suas funções e assume atitudes intoleráveis no desempenho dessas” (532).
Ou seja, os sentidos emprestados às expressões não têm compromisso com uma verdade absoluta (por definição, inalcançável) ou com bons modos. Antes, são retratos da cultura, boa ou má, que perfaz a (nossa) História. Uma História cuja pretensão de aperfeiçoamento não se conquista com a negação do mal ou do injusto, mas com seu reconhecimento. O holocausto, por exemplo, é permanentemente relembrado. E é bom que assim seja, para evitar que a barbárie se repita. Talvez por essa razão, e a despeito de terrivelmente constrangedora, a expressão “judiaria” encontra como uma de suas múltiplas acepções a conduta de “maltratar alguém, física ou moralmente” (Dicionário Houaiss, 2001, p. 1.688) – em realidade, constrangedora é a História, e não o dicionário.
Em resumo, no mercado de ideias, a arte, a literatura e a opinião devem impor-se por si mesmas, por mais aborrecedoras que se revelem. Esse é o preço que pagamos por viver em um regime de liberdade. Um preço barato, se contrastado com o risco de seu oposto: o risco de um Estado que decida sobre o que devemos ler, concordar ou dissentir. Nessa linha, caberia recordar, com Cass Sunstein (Why Societies Needs Dissent, London: Harvard University Press, 2003), que o histórico e honorável rol de dissidentes inclui, entre outros tantos, Galileo, Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Se qualquer desses dissidentes estava, ou não, com a razão, essa não é uma razão de Estado.
Como anotou o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais em manifestação lançada, na condição de Amicus Curiae, na ADPF 187 (ação que discutia a legitimidade da denominada “Marcha da Maconha”, exemplarmente ajuizada pela Procuradoria Geral da República perante o Supremo Tribunal Federal), não existiria qualquer razão para que os direitos de liberdade de expressão, de crítica, de criação artística e de manifestação fossem alçados a tal condição caso seu âmbito normativo garantisse, exclusivamente, a exteriorização de concepções compartilhadas pela ampla maioria da sociedade. Se para isso servissem, comporiam uma inimaginável categoria de direitos desnecessários; não seriam, pois, verdadeiros direitos.
Por fim, não deixa de ser curioso que o alvo da acusação de racismo seja Houaiss. Justamente Houaiss, que foi relator, na década de 1960, da IV Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas cuja atribuição era conduzir o processo de descolonização de países africanos e asiáticos. É dele, Houaiss, a referência ao velho Wittgenstein, lançada no pórtico do dicionário sob ameaça de censura: “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. Que siga sendo assim.
Luciano Feldens é advogado, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUC-RS.
Fonte: Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2012.