domingo, 13 de dezembro de 2009

O PRIMEIRO TROFÉU LIMÃO AZEDO 2009...

... vai para...

as "aulas" de literatura "ministradas" pela TV Assembleia num programa chamado Cursinhos Populares, que têm por trás a Secretaria Estadual de Educação e um certo Instituto Civitas. Não há aulas, mas mera contação minuciosa de enredos das obras pelos FACILITADORES, que assim desestimulam os alunos a lê-las. Onde aprenderam essa barbaridade? No Curso de Letras da Ufpi é que não foi. Limão azedo nos olhos deles!  

8 comentários:

EMERSON ARAÚJO disse...

Concordo em grau, gênero e número com a premiação. As aulas (?) são terríveis, os professores piores ainda.Infelizmente alguns dos "feras" ditos, facilitadores, passaram pelo curso de letras da UFPI.

hildalene disse...

Olá, Airton, tudo bem? Concordo com você e também sou contra o comércio de resumo de livros.O ideal seria realmente que o aluno vestibulando lesse as obras indicadas pelas universidades, mas infelizmente a realidade não é essa. Os Cursinhos Populares são voltados para o aluno da rede pública, pessoas de baixa renda, pessoas que moram afastadas dos centros urbanos. Onde falta o que comer, sobraria para o ler? Não somos solução, somos paliativos.
Fui sua aluna na UFPI e sou sua fã.
Passei aqui no seu blog porque estava procurando um texto seu para usar em umas questões de prova de faculdades que estou elaborando.
Abraços.
Sua admiradora, Hildalene.
(apresentadora dos Cursinhos Populares na TV)

hildalene disse...

Olá, professor, tudo bem? Sou sua admiradora e concordo com a ideia de que os alunos devem ler as obras literárias indicadas aos vestibulares. No entanto, entremos um pouco pela realidade de nosso estado e de nosso país e verifiquemos que onde mal dá para comer, não deve estar sobrando para ler. Os Cursinhos Populares na TV não devem ser visto como solução para a não leitura, mas como um paliativo, destinado a um público carente de informação e de cultura. Para um homem culto e de muita leitura como o senhor, deve ser difícil de entender essa realidade, mas ler ainda é muito caro em nosso país.
Fui sua aluna na UFPI de 19995 a 2000, e digo isso com muito orgulho porque sou sua fã.
Passei pelo seu blog porque sempre o visito, por admirar a sua literatura e também porque precisava de um texto seu para colocar numas provas de vestibular que estou elaborando para algumas faculdades.
Abraços.
de sua ex-aluna e admiradora
Hildalene Pinheiro
(apresentadora dos Cursinhos Populares na TV)

Airton Sampaio disse...

Querida Hildalene, fiz uma crítica que sei dura mas com o objetivo de provocar a reflexão constante sobre a nossa prática, tão difícil e tão pessimamnete remunerada. Não concordo, porém, que a alguém que não tem acesso fácil (eu não tenho!) a livros devamos facilitar lendo o livro por ele. Aluno meu jamais recebeu (se o fiz, errei) ou receberá de mim uma contação detalhada de enredo que o incentive a não ler a obra mesma: prefiro que a não conheça a lê-la no lugar dele. E será que essa estratégia dos Cursinhos Populares na TV é imutável? Quanto à admiração, ela é recíproca.

EMERSON ARAÚJO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AirtonSampaio disse...

Emerson, se essa prática oca persistir eu irei combatê-la mais amiúde e em diversos órgãos de imprensa. Posso não mudar nada, mas vou incomodar que nem mutuca.

EMERSON ARAÚJO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
EMERSON ARAÚJO disse...

Caro, Airton Sampaio,


Passei a minha vida profissional na sala de aula, também, da rede de ensino privado. Lá os "professores feras" são reconhecidos pela intensidade das piadas de salão ou dos trejeitos teatrais da superficialidade do conhecimento real que são obrigados a contar/fazer para se manterem no ranking dos melhores ou piores dos cursinhos privados, agora populares. O que valia ali era o conteúdo da piada ou do trejeito teatral, tudo exercício de caricatura para enganar “bobo”.

Foi nesse espaço de escola privada de resultados, em curto prazo, que se criou o aluguel da leitura. O dito “professor fera de literatura” ler/decodifica (?) o que deveria ser sugerido ao aluno no campo da obra literária.

Agora, amigo, levaram para a televisão esta velha/nova estratégia da substituição/da exclusão e do incentivo a burrice e a superficialidade do conhecimento.

Infelizmente, as universidades públicas e faculdades privadas, também, continuam alimentando/fomentando este tipo de ensino-aprendizagem da morte da leitura. Uma forma de manter o aluno público ou privado na exclusão/alienação do mundo.

Concordo, ainda, que ganhamos pouco, mas às vezes, penso que fazemos jus a este salário irrisório com estes procedimentos na contra mão da cultura.

O prêmio limão azedo é mais que merecido para estes “professores feras” e suas instituições azedas.